DAI-LHES SENHOR O DESCANSO ETERNO
Desde a organização do calendário litúrgico, dos tempos da reforma gregoriana, do século XI, nós iniciamos o mês de novembro com a dobradinha “Todos os Santos” e “Finados”. Depois, quando foi abolido o feriado de Todos os Santos, esta festa passou para o primeiro domingo de novembro. Mas, este ano, excepcionalmente, voltamos a ter as duas celebrações na mesma seqüência: no sábado celebramos Todos os Santos e no domingo Finados.
Neste final de semana, o cristão é convidado a entrar em comunhão com todos os santos, verdade de fé, professada no Credo católico, a fazer de nossa vida uma oferenda viva como fizeram os santos, que hoje intercedem a Deus por nós para que cheguemos lá onde eles já chegaram, por graça e esforço cá na terra.
Lembramos hoje todos os santos canonizados pela Igreja, após criterioso processo, mas incluímos também aqueles que estão junto de Deus, não lembrados oficialmente pela Igreja.
Já a celebração deste domingo, a celebração de todos os Finados, começou no Mosteiro de Cluny, no século XI, quando o Abade Odilon ordenou um Ofício pelos defuntos para a tarde do dia 1º de novembro, dia sempre consagrado a Todos os Santos.
Esta idéia foi bem acolhida em Roma, e logo se tornou uma prática da Igreja Universal. Passou a ser um dia para se rezar pelos falecidos.
Em plena Idade Média, em pouco tempo, o dia 02 de novembro, passou a ser o dia de finados. Um dia especial para se visitar os cemitérios e para abençoar as sepulturas.
No mundo atual, pensa-se muito na vida, nas formas de prolongar a vida e procura-se de todas as formas fazer seguros de vida, porque sabemos que a morte é inevitável. Evita-se pensar na morte e encarar a morte com naturalidade. O dia de finados é um dia apropriado para uma reflexão sobre o sentido da vida e a certeza da morte.
É importante que haja um dia especial para lembrar os mortos e a morte. O cemitério é o lugar apropriado para essas reflexões.
A fé numa outra vida, entre o povo de Israel, já aparece no Antigo Testamento, especialmente no livro dos Macabeus. Acontece que Judas Macabeu fez uma coleta para mandar o dinheiro a Jerusalém para que lá oferecessem sacrifícios pelos pecados dos mortos.
O próprio livro comenta este gesto, dizendo: “Trata-se de um belo e santo costume rezar pelos mortos, pois isto revela esperança na vida eterna”.
Quem reza pelos mortos e manda rezar missa pelos seus falecidos está dando um testemunho de que acredita numa vida depois da morte. Para nós cristãos, a morte é um verdadeiro sinônimo de libertação e de transformação.
É na morte que nós nos libertamos de todas as dores e doenças e o nosso corpo é transformado num corpo glorioso que ressuscita para a vida eterna.
Por isso, também dizemos em todo este final de semana: - Dai-lhes Senhor o descanso eterno, e a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz. Amém.
Dom Zeno Hastenteufel
Bispo de Novo Hamburgo - RS