Mensagem de Deus Pai em 06/09/02 
O SIMBOLO DOS APÓSTOLOS I
3. Sem revelação não nos poderíamos salvar, visto ser impossível saber, por nós próprios, o que é preciso crer e fazer para obtermos a Salvação.
4. Distinguem-se três revelações: 1º a Revelação primitiva, feita por Deus a Adão e aos patriarcas; 2º a Revelação Mosaica, feita por Deus a Moisés; 3º a Revelação cristã que nos foi feita por Nosso Senhor Jesus Cristo.
5. O Símbolo dos Apóstolos é uma profissão de Fé que os apóstolos nos deixaram e que, em doze artigos, encerra as verdades principais que devemos crer.
8. Também a razão nos diz que há um Deus, porque, se não houvesse, o mundo não poderia existir. Com efeito, o mundo não poderia criar-se a si mesmo, como nem sequer pode criar-se uma casa ou um relógio.
10. Digo que deus é um puro espírito, porque não tem corpo, e não pode ser visto pelos nossos olhos, nem tocado pelas nossas mãos.
14. Deus conhece todas as coisas, o passado, o presente, o futuro, e até os nossos pensamentos e desejos e vê-nos sempre, mesmo quando nos ocultamos para ofender.
17. O Pai é Deus, o filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só e o mesmo Deus; são iguais em todas as coisas, porque tem uma só e a mesma substância, e portanto uma só e a mesma divindade.

18. A Santíssima Trindade está representada no centro por um grande triângulo, no qual se vê Deus Pai sobre o globo do mundo, segurando os braços da cruz à qual está pregado Jesus Cristo, seu Filho; o Espírito Santo, sob a forma de uma pomba, derrama os seus raios de luz entre o Pai e o Filho, o que nos dá a entender que procede do Pai e do Filho.
19. Ao alto da gravura vê-se, à esquerda, Jesus Cristo, conferindo aos Apóstolos, antes de subir ao Céu, a missão de ensinar todas as nações e de as batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
21. Em baixo, à esquerda, vemos Abraão recebendo a visita de três Anjos; Abraão viu os três, e apenas saudou a um, dizendo: “Senhor, se achei Graça diante dos teus olhos, não passarás sem visitar a casa do teu servo.”
22.à direita, vemos santo Agostinho e uma criança,-Um dia, o santo Bispo de Hipona passeava à beira-mar, querendo aprofundar o mistério da Santíssima Trindade. De súbito, vê uma criança entretida a encher uma pequena concha e a vazar a água numa cova que abria na areia. “Meu filho, que pretendes tu fazer?”- “Quero meter neste buraco toda água do mar.”-“Mas tu bem vês que este buraco é muito pequeno para tanta água.”-“Mais fácil me será meter o mar neste buraco, do que tu compreenderes o mistério da Santíssima Trindade.”- E dizendo isto, a criança desapareceu. Era um anjo que tomara aquela forma para advertir o santo de que o mistério da Santíssima Trindade era impenetrável a todos os espíritos criados.
1. Estas palavras do Símbolo “Criador do Céu e da Terra” significam que Deus tirou do nada o Céu e a Terra com tudo o que estes encerram.
2.Os homens não podem criar, porque para fazer alguma coisa do nada, é preciso ser-se onipotente. Só deus pode criar; porque só Deus é onipotente.
7. Deus criou-os em estado de Graça e de Santidade, mas nem todos perseveraram nesse estado; uma parte deles revoltou-se contra Deus, perdendo a Graça por causa do seu orgulho.
18.A terceira representa a obra do terceiro dia, isto é, Deus separando a terra das águas e mandando à terra que produzisse todas as espécies de plantas.
19. A quarta representa a obra do quarto dia, isto é, Deus criando o sol, a lua e as estrela.22. No alto da gravura, Deus descansa ao sétimo dia e consagra-o ao seu serviço. Este descanso é simbolizado pelo sol velado e pelos astros que presidem à noite, a lua e as estrelas. O triângulo formado por uma nuvem e no qual Deus descansa, significa que as três pessoas divinas cooperam, todas elas, na obra da criação. É o que estas palavras nos revelam: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança.”
26. É certo que a nossa alma é imortal, é por isso que, depois desta vida, Deus deve na sua Justiça recompensar a virtude ou punir o vício.
28. Para criar a primeira mulher Deus mergulhou Adão num sono misterioso, e enquanto ele dormia tirou-lhe uma costela da qual formou a primeira mulher, unindo uma alma a esse corpo.
29. O primeiro homem chamou-se Adão e a primeira mulher Eva, e deles somos todos nós descendentes; por isso, os chamamos os nossos primeiros pais. Deus colocou Adão e Eva num lugar de delícias chamado o paraíso.
1. Deus criou Adão e Eva, como os Anjos, num estado de inocência e de justiça em que não estavam sujeitos nem às dores, nem à morte.
3. Em castigo da sua desobediência foram expulsos do paraíso terrestre, e condenados a comer o pão com o suor do seu rosto: ficaram sujeitos à ignorância, à concupiscência, à dor, à morte, e excluídos da felicidade do Céu.
4. O pecado de Adão transmitiu-se a todos os seus descendentes, de forma que estes nascem culpados do pecado dos seus primeiros pais e sujeitos às mesmas misérias.
10. Os profetas predisseram a época da vinda do Messias, o seu nascimento de uma virgem em Belém, os seus milagres, a sua paixão, a sua morte, a sua Ressurreição, e finalmente o estabelecimento da sua religião por toda a Terra.
13. “O Verbo era a luz verdadeira que vindo a este mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Mas a todos os que O receberam, àqueles que crêem no Seu nome, deu poder de se tornarem filhos de Deus: eles que não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-se carne, e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória como de Filho Unigênito do Pai, cheio de Graça e de verdade.” (João I, 1-14).
14. “João dá testemunho d’Ele e clama: » Este era Aquele de Quem eu disse: O que há de vir depois de mim, é mais do que eu, porque era antes de mim. Todos nós participamos da Sua plenitude e recebemos Graça sobre Graça; porque a lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Unigênito de Deus, que está no seio do Pai, Ele mesmo é que O deu a conhecer».” (João I, 15-18).
15. Esta gravura representa o milagre da Transfiguração, no qual Deus Pai proclama Jesus Cristo seu Filho.16. “Jesus Cristo tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os à parte ao monte Tabor, e transfigurou-se diante deles. O seu rosto ficou como o sol e as Suas vestes tornaram-se luminosas de brancas que estavam. Eis que lhes apareceram Moisés e Elias falando com Ele. Pedro tomando a palavra, disse a Jesus: «Senhor que bom é nós estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas, uma para Ti, uma para Moisés, e outra para Elias». Estando ele ainda a falar eis que uma nuvem resplandecente os envolveu; e saiu da nuvem luminosa uma voz que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a Minha complacência; ouvi-O». Ouvindo isto, os Apóstolos caíram de bruços, e tiveram grande medo”. (Mat. XVII, 1-9).
2. O Filho de Deus fez-se homem tomando um corpo e uma alma semelhantes aos nossos no seio da bem-aventurada Virgem Maria, sua Mãe, por obra e Graça do Espírito Santo.
4. O nome de Jesus significa Salvador. «E lhe chamarão por nome Jesus, disse o anjo a São José, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados.»

8. Esta gravura representa o anjo Gabriel saudando a Santíssima Virgem, quando ela orava na sua casa de Nazaré, e anunciando-lhe que Deus a escolhera para ser a mãe do Salvador. No mesmo instante, o Espírito Santo operou em Maria, por um grande milagre, o mistério da Encarnação.
9. “Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de Graça; o Senhor é contigo».
Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste Graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu Reino não terá fim».
10. Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não começo homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo, o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; porque a Deus nada é impossível». Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo retirou-se dela.” (Lucas I, 26).
11. “Naqueles dias, levantando-se Maria, foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Aconteceu que, logo que Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe no ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo; e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que venha ter comigo a mãe do seu Senhor? Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor». Então Maria disse:
“A minha alma glorifica o Senhor; e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para a humildade da Sua serva. Portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão ditosa, porque o Todo-poderoso fez em mim grandes coisas. O Seu nome é Santo, e a Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço, dispersou os homens de coração soberbo. Depôs do trono os poderosos, elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e aos ricos despediu de mãos vazias. Tomou cuidado de Israel, Seu servo, lembrado da Sua misericórdia; conforme tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à descendência para sempre».” (Lucas I, 39-56)

1. Ao centro, o Menino Jesus nasce no estábulo de Belém, cercado dos cuidados de Maria, sua Mãe, e de São José, seu pai adotivo. Perto da manjedoura onde o Menino repousa, um boi e um jumento, animais que, segundo a Tradição, lá se encontravam.
2. Os pastores vêm adorá-lO e no Céu os anjos entoam o alegre cântico: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade».
3. “Naqueles dias, saiu um édito de César Augusto, prescrevendo o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito por Quirino, governador da Síria. Iam todos recensear-se, cada um à sua cidade. José foi também da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de David, que se chamava Belém, porque era da casa e família de David, para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que ela devia dar à luz, e deu à luz o seu Filho primogênito, e O enfaixou e O reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas II, 1-7).
4. Guiados por uma estrela milagrosa, os Magos, em número de três, vieram adorar o Menino Jesus, e ofereceram-lhe ouro como a um rei, incenso como a um Deus e mirra como a um homem mortal, visto que a mirra era empregada para embalsamar os mortos.
5. Nosso Senhor foi apresentado no templo quarenta dias depois do seu nascimento, no segundo dia de fevereiro. A Santíssima Virgem cumpriu nesse dia a cerimônia da purificação, prescrita pela lei de Moisés.
6. Depois da apresentação no templo, os pais de Jesus levaram-no para o Egito, afim de escapar à perseguição de Herodes, que o queria mandar matar.
7. Para conseguir o seu fim, Herodes mandou degolar todas as crianças até a idade de dois anos em Belém e seus arredores. Estas crianças são os chamados Santos Inocentes.
10. Ensina-nos o Evangelho que durante este tempo Jesus Cristo freqüentava o templo nos dias de festa, era obediente e seus pais, e à medida que ia crescendo em idade, mais dava provas de sabedoria e santidade.
11. Com a idade de trinta anos, Jesus Cristo recebeu o batismo das mãos de São João Baptista, nas águas do Jordão. (Mat. IV, 13-17)
12. E retirou-se em seguida para o deserto onde jejuou durante quarenta dias permitindo ao demônio que O tentasse, para nos ensinar como devemos resistir às tentações. (Mat. IV, 1-11)
15. São os seus nomes: Simão chamado Pedro, e seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu, Tomé, Mateus o publicano, Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariotes, o traidor.
16. A palavra “Evangelho” quer dizer boa nova. A boa nova, que Jesus Cristo anunciava, era ser Ele Filho de Deus, o Messias ou Salvador prometido desde o princípio do mundo.
17. Jesus Cristo reforçava a sua doutrina coma prática de numerosos milagres. Fez o primeiro a pedido da sua Santíssima Mãe, mudando a água em vinho nas bodas de Cana, na Galiléia. (Jo. II, 1-11)
18. Para testemunhar o seu amor às crianças, Jesus acariciava-as com as mãos, abraçava-as e abençoava-as dizendo: «Deixai vir a mim as crianças, porque dos que são como elas é o Reino de Deus». (Marcos X, 13-17)
2. Estas palavras, “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos”, significam que durante o governo de Pôncio Pilatos na Judéia foi que Jesus Cristo sofreu as maiores dores na sua alma e no seu corpo.
4. No seu corpo Jesus Cristo sofreu tais tormentos que o profeta Isaías o chamava “Homem de dores”, “Homem ferido por Deus”, e “despedaçado por causa dos nossos pecados”.
5. Não eram necessários tantos sofrimentos para a nossa redenção, pois que teria bastado a Jesus Cristo derramar uma só gota de sangue, pelo seu merecimento infinito, para a obra da redenção.
6. Quis Nosso Senhor sofrer assim para nos mostrar bem o seu amor e para nos inspirar um maior horror pelo pecado que foi a causa da nossa morte.
7. Jesus Cristo sofreu: 1º no jardim das Oliveiras; 2º em casa de Caifás; 3º em casa de Herodes; 4º em casa de Pilatos; 5º no Calvário.
8. No jardim das Oliveiras Jesus Cristo sofreu as dores da agonia, tão grandes que o fizerem suar um suor de sangue. Foi nesse jardim que Judas, um dos seus Apóstolos, o entregou aos seus inimigos, dando-lhe um beijo.
9. Em casa de Caifás,Jesus foi negado três vezes por São Pedro, esbofeteado, coberto de opróbios, declarado réu de morte por dizer-se Filho de Deus.
10.Em casa de Herodes, Tetrarca da Galiléia, vindo a Jerusalém para celebrar a Páscoa, vestiram a Jesus uma túnica branca, por escárnio, tratando-O como a um louco.
11. Em casa de Pilatos, açoitaram Jesus Cristo, coroaram-n’O de espinhos e condenaram-n’O a morrer na Cruz, embora o juiz tivesse reconhecido a sua inocência.
12. No Calvário, deram a beber a Jesus Cristo fel e vinagre e crucificaram-n’O entre dois ladrões. Pregado na Cruz, pediu ao seu Pai que perdoasse aos algozes; prometeu o paraíso ao bom ladrão; recomendou a sua Mãe a São João e deu São João por filho à sua Mãe, e depois de ter dito que tudo estava consumado, entregou o espírito nas mãos do Seu Pai.
13. Estas palavras do Símbolo “foi morto” significam que a alma de Jesus Cristo se separou de seu corpo, mas a divindade permaneceu unida à Sua alma e ao Seu corpo.
15. Quando Jesus cristo morreu, o sol eclipsou-se, a terra tremeu, as rochas abriram-se, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, e muitos mortos ressuscitaram.
16. Após a morte de Jesus, um soldado rasgou-lhe o lado com uma lança, saindo da ferida sangue e água.17. Nosso Senhor permitiu que lhe fizessem esta ferida para mostrar: 1º que nos tinha amado em extremo, vertendo por nós até à última gota do Seu sangue; 2º que o Seu coração permaneceria sempre aberto para derramar sobre nós a abundância de Suas graças.
18. As palavras do Símbolo “e sepultado” significam que depois de morto, o corpo de Jesus Cristo foi despregado da Cruz e metido no túmulo.
19. Depois de sepultado Jesus, taparam a entrada do sepulcro com uma grande pedra, que Pilatos mandou selar, encarregando soldados de guardarem o túmulo.
20. Os Judeus tomaram estas precauções para impedir que fosse roubado o corpo de Jesus, e Deus permitiu-as para tornar mais manifesta a sua Ressurreição.
21. A Igreja recomenda aos fiéis o piedoso exercício chamado “Via sacra”, que lhes recorda em 14 estações a Paixão do Salvador. Concede numerosas indulgências a quem rezar a Via sacra com sincera devoção e contrição.
22. A gravura representa a condenação de Jesus por Pilatos, Jesus açoitado, Jesus pregado na Cruz e colocado entre dois ladrões, e a sepultura de Jesus.
1. As palavras “e desceu aos infernos” significam que, morto Jesus Cristo, a Sua alma desceu aos infernos, onde se demorou todo o tempo que o Seu corpo permaneceu no sepulcro, e ainda que a mesma pessoa de Jesus Cristo esteve ao mesmo tempo nos infernos e no sepulcro. Não deve isso parecer estranho, pois que, embora a alma de Jesus Cristo se separasse do Seu corpo, todavia a divindade ficou sempre unida à Sua alma e ao Seu corpo.
2. Deve entender-se pela palavra “Inferno” os lugares ocultos, os depósitos em que são retidas, como prisioneiras, as almas que não podem gozar logo da beatitude eterna. Neste sentido a Sagrada Escritura emprega esta palavra em muitas passagens. Foi ainda neste sentido que São Paulo disse que em nome de Jesus Cristo todos os joelhos se dobram no Céu, na terra e nos infernos.
3. Não obstante designados todos pelo nome de infernos, estes lugares não são iguais. Um deles é como que uma prisão escuríssima e horrível, onde as almas dos condenados estão continuamente atormentadas pelos demônios com um fogo que se não pode extinguir. Denomina-se este lugar a Geena, o abismo, ou mais comumente, o Inferno.
4. No segundo destes lugares encontra-se o fogo do Purgatório. As almas dos que morreram em estado de Graça permaneceram aí durante um certo tempo, até se purificarem de todo, e poderem entrar na pátria eterna, onde não se pode ter guarida nem haver sombra de pecado.
5. Ao terceiro destes lugares chama-se limbo, e neste eram recebidas, antes da vinda de Jesus Cristo, as almas dos santos, que ficavam aí em descanso, sem nenhum sentimento de dor, na esperança da sua redenção. E foram as almas destes santos que esperavam o seu Salvador no seio de Abraão, que Nosso Senhor libertou quando desceu aos infernos.
6. É um erro supor que Jesus Cristo desceu a estes lugares apenas para fazer brilhar aí o seu poder. Devemos acreditar firmemente que a sua alma desceu com efeito aos infernos e que aí se fez realmente presente, como expressamente o indicam estas palavras de David: «Não deixareis a minha alma nos infernos.»
7. Esta descida de Jesus Cristo aos infernos em nada diminuiu o seu poder e majestade, e as trevas destes lugares não ofuscaram no mundo o brilho da sua glória. Pelo contrário, devemos ver neste fato, não só que era rigorosamente verdadeiro tudo o que se dissera da santidade de Jesus Cristo, como também que Este era Filho de Deus, como já o tinha provado pelos seus milagres.
8. Isto se compreenderá facilmente se compararmos as razões que levaram Jesus a descer aos infernos, com as razões que obrigam os outros homens a encontrar-se ali. Os homens tinham descido ali como cativos, ao passo que Jesus Cristo desceu como Aquele que, sendo o único livre entre os mortos e o único vitorioso, ia afugentar os demônios que os retinham ali tão severamente encerrados por causa das suas culpas.
9. E desceu não apenas para arrebatar ao demônio os seus próprios despojos, libertando deste cativeiro as almas dos santos Patriarcas e os outros Judeus ali detidos, como ainda para entrar triunfalmente no Céu em sua companhia, o que fez de um modo admirável e glorioso, porque a sua presença derramou uma luz brilhantíssima neste lugar onde estavam os felizes cativos, dilatando-lhes os corações com uma inconcebível alegria e fazendo-os gozar da suprema beatitude, que consiste na união com Deus.

10. Esta gravura representa a alma de Jesus Cristo aparecendo no limbo. Figuram, em primeiro plano, Adão e Eva de joelhos; seguem-se à esquerda, Abraão brandindo o gládio contra Isaac; Jacob com seu cajado na mão; David com sua Lyra, etc., à direita, Moisés de cuja fronte irradiam raios de luz; Aarão com a sua vara; São José segurando uma açucena. Nosso Senhor permaneceu na companhia deles até à sua Ressurreição.
11. No plano superior, vê-se o Inferno onde ardem os demônios e os condenados; Jesus Cristo não desceu a este abismo de dores, nem ao Purgatório; fez todavia sentir aos condenados a sua ação, dando-lhes a conhecer a sua divindade, e às almas do Purgatório dando-lhes a esperança da glória.
1. Estas palavras “ao terceiro dia ressuscitou dos mortos” significam que Jesus Cristo, ao terceiro dia após a sua morte, reuniu a sua alma ao seu corpo pela sua onipotência e saiu do túmulo vivo e glorioso.
2. O corpo de Nosso Senhor esteve no túmulo durante três dias no todo ou em parte, a saber: uma parte da Sexta-Feira, todo o Sábado, e uma parte do Domingo.
3. Torna-se preciso saber que Jesus Cristo não quis retardar a sua Ressurreição até o fim do mundo, afim de dar uma prova da sua divindade; mas não quis também ressuscitar imediatamente depois da sua morte, mas só três dias depois, para dar a conhecer que era verdadeiro Homem e que morrera com efeito. Aquele lapso de tempo era suficiente para provar a verdade da sua morte.
4. Sabemos que Jesus Cristo ressuscitou pelo testemunho dos Apóstolos e dos discípulos a quem Ele se mostrou muitas vezes depois da Ressurreição.
6. Algum tempo depois, Jesus Cristo mostrou-se a muitos Apóstolos que estavam pescando no mar de Galiléia. Foi nesta aparição que o Redentor elevou São Pedro à dignidade de pastor supremo da Igreja.
7. Antes de subir ao Céu, Jesus Cristo mostrou-se ainda uma vez aos Apóstolos, ordenando-lhes que pregassem o Evangelho a todas as nações.
8. Devemos acreditar no testemunho dos Apóstolos em favor da Ressurreição de Jesus, porque estes deram a vida para testar que tinham visto Jesus Cristo ressuscitado. Não podiam ser impostores os homens que se deixavam matar para confirmação do seu testemunho.
9. O corpo de Jesus Cristo ressuscitado tinha todas as qualidades dos corpos gloriosos, a saber: impassibilidade, esplendor, agilidade e subtileza.
11. Por “esplendor” entendo que o corpo de Nosso Senhor era brilhante como o sol; Jesus porém não quis aparecer assim antes da sua Ascenção.
12. Por “agilidade” entendo que o corpo de Jesus Cristo ser podia transportar a grandes distâncias, até da Terra ao Céu, com a rapidez do relâmpago.
13. Por “subtileza” entendo que o corpo de Jesus Cristo podia atravessar sem dificuldade os corpos mais rijos. Foi assim que Ele saiu do túmulo sem remover a pedra que tapava a entrada.
14. Reunindo a sua alma ao seu corpo Jesus Cristo fez desaparecer a maior parte das chagas que recebera durante a paixão. Apenas conservou as das mãos, dos pés e do lado.
15. E conservou-as: 1º para as mostrar aos Apóstolos em testemunho da sua Ressurreição; 2º para as apresentar a seu Pai intercedendo por nós; 3º para confundir os pecadores no dia do Juízo, fazendo-lhes ver que tanto sofreu por eles como pelos justos.
16. Foi necessário que Jesus ressuscitasse, a fim de fazer brilhar a justiça de Deus, pois era um ato absolutamente digno da sua justiça elevar Aquele que, para Lhe obedecer, fora desprezado e coberto dos maiores opróbios. São Paulo refere esta razão na sua epístola aos Filipenses: “Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até à morte e morte na Cruz, pelo que Deus também o exaltou, e lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.” (Fil. II, 7-9)

17. A gravura representa a “Ressurreição do Salvador”. As numerosas mulheres que vemos à esquerda vinham com o fim de embalsamar o corpo de Jesus, quando de repente se sentiu um grande tremor de terra. Um anjo veio arredar a pedra do sepulcro e sentou-se nele. Os guardas, tomados de assombro, ficaram como mortos. Quando entraram no santo Sepulcro as santas mulheres ficaram cheias de temor ao verem o anjo. Mas ele lhes disse: «Não temais; buscais Jesus de Nazaré que foi crucificado. Não está aqui; vede o lugar onde o tinham posto.»
1. Estas palavras “Subiu aos Céus” significam que Jesus Cristo se elevou ao Céu pelo seu próprio poder e em presença de um grande número de discípulos, no quadragésimo dia depois da sua Ressurreição.
3. Antes da Ascensão, Jesus Cristo estava no Céu como Deus, não como homem. Depois da Ascensão está no Céu como Deus e como homem.
4. Nosso Senhor subiu ao Céu: 1º para tomar posse da glória que lhe era devida; 2º para nos preparar aí um lugar; 3º para interceder por nós junto do seu Pai; 4º para nos enviar o Espírito Santo.
5. A Ascensão de Nosso Senhor é contada assim: “No meu primeiro livro, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus fez e ensinou, desde o princípio até ao dia em que, tendo dado as duas instruções por meio do Espírito Santo aos Apóstolos que tinha escolhidos, subiu aos Céus. Aos quais também se manifestou vivo depois da Sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Estando a mesa com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai «que ouvistes – disse Ele – da minha boca; porque João, na verdade, batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias». Então, os que se tinham congregado, interrogavam-n’O: «Senhor, porventura, chegou o tempo em que vais restaurar o reino de Israel?» Ele disse-lhes: «Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai reservou ao seu poder; mas recebereis a virtude do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia na Samaria e até aos confins do mundo». E tendo dito isto, elevou-se a vista deles e uma nuvem O ocultou aos seus olhos. Como estivessem olhando para o Céu quando Ele ia subindo, eis que se apresentaram junto deles dois personagens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galiléia, porque estais aí parados olhando para o Céu? Esse Jesus que, separando-Se de vós, subiu ao Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».” (Actos I, 1-11)
6. Jesus Cristo subiu ao Céu por sua própria virtude, sem ser arrebatado por qualquer força estranha, como aconteceu a Elias, por exemplo, que para lá, foi transportado num carro de fogo, ou como o profeta Habacuc ou ainda o diácono Filipe que, sustentados nos ares pela força divina, assim percorreram consideráveis distâncias.
7. Jesus Cristo subiu ao Céu não somente por efeito desta virtude onipotente que lhe dava a Sua divindade, mas ainda pela que possuía como homem.
8. Semelhante prodígio ultrapassava as forças da natureza humana, mas esta virtude de que era dotada a alma bem-aventurada do salvador podia transportar o Seu corpo para onde Ele quisesse. Por outro lado, o corpo assim em estado de glória, obedecia facilmente às ordens da alma quando esta lhe imprimia o movimento.
9. Os outros artigos do símbolo que se aplicam a Nosso Senhor mostram-nos a Sua humildade e as Suas prodigiosas humilhações. Nada se pode imaginar, com efeito, de mais baixo e abjeto para o Filho de Deus que haver tomado a nossa natureza com todas as suas fraquezas, e ter querido sofrer e morrer por nós. Mas ao mesmo tempo, ao proclamar no artigo procedente que Ele ressuscitou dos mortos, e neste artigo que subiu ao Céu e está sentado à direita de Deus Pai, nada mais admirável e magnífico podemos dizer para celebrar a Sua glória e a Sua majestade divina.
Explicação da gravura10. A gravura representa a Ascensão de Jesus Cristo sobre o monte das Oliveiras. Esta montanha tem três cumes, e foi do cume central que Nosso Senhor subiu ao Céu na presença das santas mulheres e dos Seus discípulos, e deixando, diz-se, o sinal do Seu pé esquerdo gravado na rocha.
11. Quando Jesus Cristo desaparecia na nuvem luminosa aos olhos dos seus discípulos, três anjos lhes surgiram, dizendo: «Homens da Galiléia, porque estais aí parados olhando para o Céu? Esse Jesus que, separando-Se de vós, subiu ao Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu». (Atos I, 1-11).
1. O símbolo diz-nos que Jesus Cristo “está sentado”, para dar-nos a entender que Ele descansa e goza no Céu duma felicidade que não terá fim.
2. Jesus está sentado no Céu como um rei no seu trono e como um juiz no seu tribunal. Nesta dupla qualidade exerce o poder legislativo e judicial de que falava, quando se exprimia assim antes de deixar o mundo: «Todo o poder me foi dado no Céu e sobre a terra.»
3. Acrescenta o símbolo que Jesus Cristo está sentado à “direita de Deus Pai”. Não quer isso dizer que Deus tenha mão esquerda e mão direita. Como o lugar de honra é à direita, estas palavras significam que Jesus Cristo, igual ao seu Pai como Deus, está acima de todas as criaturas como homem.
4. Embora devamos a nossa salvação e redenção à paixão de Jesus Cristo, cujos merecimentos abriram aos justos as portas do Céu, contudo é preciso não ver na Ascensão apenas um modelo posto diante dos nossos olhos para nos ensinar a elevar os pensamentos e a subir ao Céu em espírito. A Ascensão comunica-nos também uma força divina para atingir este fim: sublima os merecimentos da nossa Fé, purifica a nossa esperança, e aponta-nos o Céu ao amor do nosso coração.
5. A Ascensão sublima os merecimentos da nossa Fé, porque a Fé tem por objeto as coisas que se não vêem e que estão acima da razão e da inteligência dos homens. Logo, se Nosso Senhor não nos tivesse deixado, a nossa Fé perderia o seu merecimento, pois que o próprio Jesus Cristo proclamou felizes aqueles que creram sem ter visto.
6. E é muito apropriado a fortificar a esperança nos nossos corações. Crendo que Jesus Cristo, como homem, subiu ao Céu, e que tomou a natureza humana à direita do seu Pai, temos um motivo forte para esperar que nós, que somos seus membros, também um dia subiremos ao Céu para nos reunirmos ao nosso Chefe, sobretudo depois que o mesmo Senhor nos assegurou essa união nos seguintes termos: «Pai, quero que, onde Eu estou, estejam também comigo aqueles que Me deste, para que contemplem a Minha glória.» (Jo. XVII, 24)
7. Uma das maiores vantagens que esta nos concede ainda é apontar-nos o Céu ao amor do nosso coração, e tê-lo inflamado com as chamas do Espírito divino. Tem-se dito com toda a verdade que onde está o nosso tesouro ai está o nosso coração. Sem dúvida, pois que, se Jesus continuasse permanecendo conosco, limitaríamos todos os nossos pensamentos a conhecê-lo de vista e a gozar do seu trato; só veríamos n’Ele o homem que nos encheu de benefícios, sentindo por Ele apenas uma espécie de afeto muito natural.
8. Subindo ao Céu, Jesus Cristo espiritualizou o nosso amor, e como, por via da sua ausência, só pelo pensamento o podemos atingir, achando-nos por isso mesmo facilmente dispostos a adorá-LO e a amá-LO como Deus. É o que por um lado nos ensina o exemplo dos Apóstolos. Enquanto o Salvador permaneceu com eles, pareciam consagrar-lhe sentimentos apenas humanos. E por outro lado é o que nos confirma o próprio testemunho de Nosso Senhor quando diz: «É bom para vós que Eu me vá».Com efeito, esse amor imperfeito com que o amavam os Apóstolos enquanto o tinham junto de si, necessitava de ser aperfeiçoado pelo amor divino, isto é, pela descida do Espírito Santo. E por isso acrescentou logo: «Se eu me não vou, o Paráclito não descerá sobre vós».
9. A Ascensão foi o início duma nova expansão para a Igreja, esta verdadeira casa de Jesus Cristo, cuja direção e governo iam ser confiados à virtude do Espírito Santo. Até então e para O representar junto dos homens, Jesus colocara Pedro à frente da Igreja como seu primeiro pastor e supremo sacerdote. Daí em diante, e além dos doze, Jesus não cessou de escolher outros a uns dos quais fez Apóstolos, outros profetas, outros evangelistas, outros pastores e doutores, continuando, do lugar onde está sentado à direita de Deus Pai, a distribuir a cada qual os dons que lhe convêm, porque o Apóstolo nos afirma que a Graça é dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Jesus Cristo.
