"Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11) " 
MENSAGENS DO ARCANJO SÃO GABRIEL III
SÃO GABRIEL
Irmão Angélicus de Angelis
A seguir publicam-se mensagens do Arcanjo Gabriel, da Nossa Senhora e do abade S. Bento de Núrsia, que irmão Angélicus, um jovem vidente, está a receber pela graça de Deus – através de aparições e visões – desde 25 de maio de 2008.
As mensagem e textos aqui publicados foram examinadas escrupulosamente por um guia espiritual católico e sacerdotal, quem autorizou a sua publicação. Todos os textos desta home Page podem ser reproduzidos e divulgados como o nome “Mensageiro do Senhor” o “Irmão Angélicus”, mas é proibido fazer qualquer modificação nos textos!
Está em > http://www.botedesherrn.kathwahrheit.de/por/index.htm
1ª Mensagem: Sente que és levado pelas mãos maternas.
Sábado, 9 de Agosto de 2008
A Mãe de Deus
O dia de hoje foi particularmente rico em graças. De momento, encontro-me de visita a meus pais em Carintie. As semanas transcorridas após a minha primeira aparição foram marcadas por se me terem manifestado espíritos das trevas. Fui, muitas vezes, despertado bruscamente pelo barulho de pancadas e risos maléficos. Aconteceu-me também sentir algo a apertar-me o pescoço a ponto de ficar sem poder respirar, quando queria começar a orar. Estas visitas têm-se multiplicado particularmente nestas duas últimas semanas.
Agora estou de visita a casa de meus pais. Esta tarde, tomei uma vela e dirigi-me para a gruta da Virgem Maria para lhe pedir o Seu auxílio. Cheguei à gruta pelas 16H30. A imagem da Virgem Maria que se encontra no nicho da gruta, mostra-A de mãos postas e de olhos elevados para o céu. Usa vestido branco com um cinto azul. No chão, à sua frente, há uma cruz vertical na qual se podem depositar velas. Há também um grande terço fixo no rochedo. À esquerda encontra-se um genuflexório para os que desejam rezar, e no meio, precisamente diante da imagem e da cruz, uma pedra no solo, sobre a qual me ajoelhei.
Fixava a imagem e pedia à Santa Mãe de Deus que me concedesse a sua protecção. Pedia o seu auxílio neste difícil momento. Rogava-lhe que me guiasse em tudo o que diz respeito às instruções do Anjo, e que pedisse por mim e por todos quantos me tem escrito e rezam por mim.
Estava pois ajoelhado e invocava a Virgem Maria quando ouvi os sinos das duas igrejas locais começarem a tocar. Eram 17h00. De repente soprou uma aragem na gruta e à volta da imagem apareceu uma luz brilhante. Então o vestido da Virgem esvoaçou. Nem queria acreditar no que meus olhos viam pois tinha a impressão de que a imagem de madeira se animava. Assustado pelo que estava a acontecer, permaneci ajoelhado sobre a pedra e não conseguia desviar os olhos da imagem. Foi então que a imagem baixou a cabeça e me olhou com um sorriso que lhe iluminava o rosto. Depois, afastou as mãos e disse:
“Não temas, querido filho. Nenhum poder maléfico te poderá desviar do teu caminho. Estás sob a Minha protecção. Elevo o teu coração, que me foi consagrado, para o trono de Deus, e rogo por ti. Sobretudo não diminuas a oração! Consagra-te à Palavra de Deus!
Invoca o Santíssimo Nome de meu filho Jesus! Reza o terço! Confessa os teus pecados! E sobretudo: recebe, tantas vezes quanto puderes o corpo místico de meu Filho, porque Ele será sempre um alimento que te fortifica.
Presta bem atenção às mensagens que Deus te envia pelo Seu Anjo. Não receies o que os outros possam pensar de ti e não te escondas. Nada temas, porque a bênção de Deus está contigo. Vai pelo mundo e leva a todos os homens as mensagens que te são confiadas. Muitos as seguirão e formareis uma comunidade que crescerá e dará fruto. O anjo dar-te-á ainda muitas indicações sobre o que irá acontecer. Confia na sua palavra e nenhum mal vos acontecerá, nem a ti nem à comunidade dos filhos de Deus.
SIM, VIVERÁS MOMENTOS DIFÍCEIS, os espíritos das trevas tentarão ainda muitas vezes distrair-te, afastar-te do bom caminho e fazer-te sofrer. Mas nada te acontecerá. Pela Minha intercessão, o próprio Deus mantém Sua Mão estendida sobre tua cabeça e te protege. Mesmo que as potências das trevas, a começar por seu soberano, Satanás, tentem fazer-te sucumbir, mantêm-te firme e confia na minha maternal protecção.
Confessa teus pecados, e o teu coração será purificado. Não tenhas medo de propagar as mensagens pelo mundo.
Os homens estão famintos deste alimento e eis chegado o momento!
Reza também pelas almas do purgatório, que se encontram ainda longe de Deus, pois sofrem muito e têm necessidade de muita oração. Não para reencontrarem o amor de Deus, mas para que Satanás deixe seus corações e as deixe livres para acolherem de novo o fogo do Espírito Santo. Então serão purificadas e tornar-se-ão morada do Pai Todo Poderoso.
A minha bênção materna te acompanhará. Deus tem grandes desígnios para ti. Segue Suas palavras e instruções e daí virão muitas graças de salvação para o mundo.
Volta aqui e eu esperar-te-ei. Se procuras um refúgio, vem novamente invocar-me aqui, pois este lugar é abençoado.
Sente que és conduzido e protegido pelas minhas mãos maternas. A bênção de Deus Pai, de Meu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo repousa sobre ti.”.
Depois Ela juntou novamente as mãos, elevou a cabeça e olhou para o céu. O vento atenuou-se, o vestido petrificou-se e desapareceu a luz que tinha aparecido a volta da Imagem. Eu continuava ajoelhado sobre a pedra dura. Não conseguia entender o que acabara de se passar. Fiquei ainda uns momentos na gruta para voltar a mim, depois tomei o caminho de regresso. Neste momento, escrevo tudo o que se passou e o ponho à disposição de todos.
2ª Mensagem: Aviso da Santíssima Virgem
Domingo, 28 de Setembro de 2008
A Mãe de Deus
Como o Arcanjo Gabriel me tinha pedido que o fizesse, no dia 25 de Setembro regressei ao meu país para ir ao encontro da Santíssima Virgem na gruta! Já no sábado eu queria ir visitá-La. No caminho para a gruta ouvi uma voz que me dizia para não ir lá. Mas, continuei o meu caminho e quando cheguei à gruta, constatei que se tinham reunido lá pessoas para orarem. Não era pois um dia propício. Resolvi voltar à gruta no domingo.
No dia seguinte, pus-me a caminho pelas 14 horas. Apenas um quarto de hora depois cheguei à gruta. Estava verdadeiramente um belo dia! Ajoelhei-me sobre o solo e comecei a rezar. Quando rezava o terço, senti uma doce brisa penetrar na gruta, e espalhou-se um delicioso perfume de flores. Levantei os olhos para a imagem da Virgem Maria e, como na última vez, uma luz deslumbrante envolveu a imagem de madeira e ela animou-se. Ela baixou seu olhar para mim, afastou as mãos e olhou-me sorrindo.
“Meu querido filho! Como estou feliz com a tua vinda. A obra já começou e o tempo (Nota do tradutor: anunciado) está muito próximo. Preparai-vos para este duro período! Armai-vos com a oração e a Palavra de Deus! Confiai nas mãos dos sacerdotes e recebei os sacramentos.”
AOS SACERDOTES: “Sedes humildes, meus queridos filhos. Mas sobretudo os padres. São eles os pastores encarregados de cuidar do rebanho.
Ah, meu querido filho, quantos são os pastores que se ocupam ainda do rebanho?
Repousam à sombra da árvore e deixam o rebanho abandonado a si próprio. Dormem enquanto os lobos se lançam sobre o rebanho e arrebatam tantos cordeiros. Quantos são os padres que ainda partem à procura da ovelha tresmalhada? Tantos pastores baixam os braços e esperam que cada cordeiro volte por si mesmo ao redil. Mas Eu digo-te que, sós, muito poucas ovelhas encontram o caminho de retorno. Erram desorientadas pela natureza e não sabem onde está o pastor. Mesmo se elas o virem muito tempo depois, quantas é que se poderão ainda recordar dele? Quantas é que ainda confiarão no pastor?
Os padres, dum modo particular, devem tornar-se humildes e rezar mais.
È preciso que partam pelos caminhos a pregar o reino de Deus e a dar aos homens os sacramentos! Os padres não devem calar-se quando vêem que um outro padre se não desempenha bem na missão de olhar pelo rebanho do Senhor! Lembrai-vos mutuamente dos vossos deveres mas não vos esqueçais nunca de vos amardes uns aos outros. Deus não reina senão onde reina a caridade!”
A VIRGEM MARIA PEDE-ME QUE ME TORNE PASTOR: Querido filho, eis a minha oração: põe-te a caminho e torna-te tu próprio um pastor! Levanta-te e prepara-te para conduzires um rebanho. O Pai dos Céus, depôs no teu coração tudo o que te é preciso para essa missão. O Meu Filho guiará os teus passos e o Espírito Santo porá em teus lábios as palavras necessárias.
PEÇO-TE ISTO: FALA AOS PADRES DAS MENSAGENS, para que se inteirem e se convertam. Muitos deles se encontram desnorteados. Há tantos que já não sentem o fogo do Divino Amor em seus corações e não mostram humildade perante o Santíssimo Sacramento do altar. É preciso que os sacerdotes rezem mais. Que nada mais sejam do que servos de Deus. E vós, que sois como ovelhas dum rebanho, confiai no vosso pastor, segui-o e sede dóceis.
Quando vos aproximardes do altar para receber o Corpo de Meu Filho, procedei do seguinte modo:
Ajoelhai-vos e abri a boca! Que faz o Santíssimo Sacramento em mãos não consagradas?
Deveis aprender a ser humildes e receber o Corpo de Meu Filho directamente das mãos do sacerdote. Mostrai humildade diante deste Divino Presente recebido do Infinito Amor do Bom Deus! É o orgulho que vos leva a querer receber o Corpo de Meu Filho em vossas mãos. Mas isto fere o Sagrado Coração de Meu Filho bem como o Meu Materno Coração! Já não sois humildes perante os vossos padres – então como poderíeis sentir-vos humildes diante do Vosso Deus? Quem de entre vós é que se pode ainda ajoelhar humildemente diante do Pai, sem pensar que os joelhos lhe doem? Deveis converter-vos! Deveis rezar!
PEÇO-VOS:
REZAI O TERÇO EM ASSEMBLEIA REUNIDA DIANTE DO CORPO DE MEU FILHO.
Ponde-vos diante de Deus e rezai o terço! Muitas pessoas o rezam sem atenção e apenas se contentam em recitar palavras em coro. Porquê? Porque é que há cada vez menos pessoas a reconhecerem a força desta oração? Convidai os outros para a oração do terço! Muitas coisas dependerão disso!
Peço-vos: escutai a Palavra de Deus. Todos os dias! Tomai em vossas mãos o Livro da Sua Palavra e meditai-a no vosso coração.
Peço-vos:
Confessai vossos pecados e recebei o Corpo de Meu Filho!
Meu querido filho: confia no auxílio do Alto, que o Pai Todo Poderoso te concede. Procura divulgar as mensagens em todo o mundo. O tempo urge. O Arcanjo já te disse que tempos difíceis esperam a humanidade. Apressai-vos a começar a realizar a obra. Apressai-vos a anunciar aos homens as mensagens divinas. Uni-vos e começai a edificar a cidade. Lá, todos quantos baterem à porta com coração puro, estarão em segurança!
Sê vigilante, porque Deus decidiu dar-te o conhecimento! Vigia e tem a certeza que te ajudarei sempre! Estás sob minha protecção. Enviei legiões de anjos para que afastem de ti os poderes infernais! Estes poderes não renunciarão! Receiam muito a força destas mensagens! Muitas coisas mudarão. Acontecerão muitas coisas terríveis antes de se iniciar a era do reino eterno. Muitas coisas mudarão!
A bênção de todos os poderes celestes repousa sobre ti.”
Como no mês de Agosto, Ela juntou de novo as mãos, olhou para o céu e petrificou-se. A luz retirou-se da gruta e desapareceu. De novo, senti perto de mim um perfume de flores. Rezei ainda um terço na gruta, e regressei a casa.
1ª Mensagem: Visão de S. Bento
Sábado, 6 de Setembro de 2008
Na semana passada eu sentia-me muito nervoso. Tinha a sensação de estar a ser observado e seguido por alguém. Como não conseguia estar muito tempo dentro de casa resolvi fazer uma longa caminhada. Embora sem consciência disso parecia-me estar a fugir de qualquer coisa que não sabia o que era.
Como não tinha compromisso com um trabalho regular, saía várias vezes ao dia para dar um passeio, sempre levando o terço na mão. Na noite de quinta para sexta-feira, tive um sonho. Encontrava-me numa pradaria que não me era estranha, pois parecia-me reconhecer aquela paisagem, os montes que a rodeavam, as pastagens, etc., quando a certa altura, ouvi alguém dizer ”Volta para casa!”.
Na sexta-feira de manhã pus-me a caminho da minha aldeia e no sábado, dei uma grande volta pelas montanhas vizinhas. A certa altura cheguei a um prado, sentei-me num banco que ali havia e comecei a rezar e ler a Sagrada Escritura. Tenho andado a ler o livro de Qohélet (Eclesiastes) onde estão muitas respostas para algumas das minhas dúvidas. Passou-se muito tempo sem que nada acontecesse mas, cerca das 14,30, vi chegar um homem vestido como um caminhante, que me perguntou se podia sentar-se no banco, a meu lado. Não vi razão para me opor. Durante algum tempo, não trocámos palavra mas havia naquele homem qualquer coisa que me intrigava.
De repente, virou-se para mim e disse:
“Tu és muito afeiçoado a Deus, não és?"
Quando olhei para ele, notei que tinha um sorriso amistoso. Respondi-lhe que sim, e então, ele voltou-se para mim e disse-me o seguinte:
“Sabes que Deus te ama de verdade? Nem podes imaginar quanto Ele te ama, assim como a Santíssima Virgem, mãe cheia de Graça, que te acolheu no Seu coração. É uma maravilha saber que quando um dos filhos de Deus Lhe causa uma alegria assim tão grande, Ele manda um dos Seus mensageiros ao seu encontro. Quando tal acontece, dá-se no Céu uma grande movimentação e na Terra muita gente fica também a rezar por essa pessoa, pedindo que Deus lhe mostre o caminho a seguir.”
“O meu nome é Bento”
Olhei-o com algum cepticismo, dizendo para comigo: “Como é que aparece aqui de repente um homem (este montanhês? /este caminhante?) que se vem sentar a meu lado e me diz todas estas coisas sem eu nada perguntar?
Disse-lhe então:
“Espere lá! Quem disse o senhor que era? E como é que sabe tudo isso sobre mim?”
Ele sorriu, quando fiz a pergunta.
“O meu nome é Bento e Deus escolheu-me de entre os Seus servos para vir junto de ti e te instruir sobre o modo de viver que é do Seu agrado e te iniciar nele. Estou aqui para te ajudar nessa tarefa. Vou mostrar-te como hás-de construir a Cidade do Silêncio, como deves rezar, como deves ocupar os teus dias. Passo a passo, vou ensinar-te tudo isso, de maneira a que venhas a ser um instrumento útil ao Céu. Ajudar-te-ei nos estudos e virei dar resposta àquilo que não compreenderes. Vou ensinar-te, para não correres o risco de seguires falsas doutrinas. Mas disso, falaremos mais tarde.
Tens de aprender a prestar atenção aos teus sonhos. Nem sempre poderei vir ter contigo com a aparência que tenho hoje. Muitas vezes falar-nos-emos através de sonhos e neles te vou mostrar imensas coisas.
Vais ter de passar muitas provações, mas podes estar certo de uma coisa: os Anjos estarão sempre a teu lado para te proteger.
Em tempos idos, também eu me afastei para as montanhas em busca de Deus. A solidão no silêncio é a porta que nos introduz no caminho. Mas, ainda que a solidão seja um elemento importante na vida consagrada, o amor ao próximo, essa arte que se pratica em comunidade, é uma bênção ainda maior. Muitas pessoas consagram a sua vida a Deus e seguem a minha regra num caminho que a Ele conduz. Tenho de confessar que há muitas coisas que me entristecem, pois alguns já não seguem verdadeiramente a regra que lhes deixei. Dizem que está ultrapassada e por isso alguns mosteiros decidiram introduzir certas modificações. As alterações em si, não são más, mas feitas de ânimo leve, com intenção de tornar a vida mais cómoda, constituem um grande perigo e já destruíram muita coisa.
Cada vez se ouve mais neste mundo, dizer que a vida em Deus deve ser caracterizada pela simplicidade, pela austeridade e por claros sinais de abstinência mas, hoje em dia, essas palavras são interpretadas na perspectiva da vossa vida material e infelizmente, isso não está muito correcto.”
EU- Sim, mas o que os votos exigem está correcto: Obediência, Pobreza e Castidade”.
Ele franziu as sobrancelhas e disse:
“Mas tu tens ideia de quantos é que ainda permanecem fiéis aos seus votos? Muitos deles, consideram o seu serviço para o Reino de Deus, como um simples trabalho, semelhante ao de um carpinteiro, por exemplo. O que lhes faz falta é terem um coração inflamado.
Talvez aches estranho o que vou dizer, mas vocês não vêem este assunto dos votos sob uma perspectiva correcta. Agora ainda não poderás compreender o que quero dizer com isto, mas teremos tempo para falar do tema.
Falando de simplicidade:
Uma vida em Deus e para Deus, nunca é uma vida simples e não decorre de um modo simples. Há nela uma abundância de glória, mas de uma glória que não é deste mundo pois que tem a sua origem no Reino de Deus e que chega aos homens através do coração inflamado dos crentes.
Falando de austeridade:
Em Deus não há austeridade (rigor?). Se alguém estabelece as regras, fá-lo por duas razões: ou tem medo de si próprio e tenta proteger-se com as regras ou tem medo dos outros, receando que possam entrar por um caminho que os leve à perdição. Este tipo de regras é importante para os homens, pois lhes permite verificar se estão realmente a seguir o caminho que conduz a Deus. Mas, essas regras jamais limitarão a liberdade dos homens. De facto, Deus prometeu-nos uma liberdade perfeita, a liberdade perfeita em Deus. Trata-se de uma liberdade que ainda que vivida na humildade e no reconhecimento, continua a ser uma liberdade perfeita. Como podem os homens pensar que Deus ponha limites à sua liberdade quando lhes é impossível conhecer os limites de Deus? Ninguém poderá jamais conhecer tais limites, pois que Deus não tem fim, nem limites. Porque havia Deus de restringir a liberdade que concedeu aos homens e impor-lhe limites, se o amor que lhes tem é infinito e ilimitado?
Falando de renúncia às coisas deste mundo:
A renúncia, só por si, não faz ninguém feliz. As proibições são uma violência e atiçam o desejo.
Muitas vezes a renúncia desencadeia um desejo, mesmo que a ele não nos entreguemos. Gostaríamos de ter determinada coisa mas ainda que se renuncie a ela, mantêm-se intacto o desejo de a ter. A renúncia em questão, tem a ver com a tomada de consciência de que não se tem necessidade de possuir tantas coisas. Não deveis renunciar a nada daquilo de que necessitais para viver, mas vós não sabeis bem distinguir aquilo que vos é realmente necessário. Levais uma existência de pessoas mimadas, que gostam de viver rodeadas de conforto e muitos sacerdotes e religiosos também não são diferentes de vós. Há uma única coisa que vos é verdadeiramente importante implorar: MISERICÓRDIA!
Implorai a misericórdia de Deus e nada vos faltará!”
Então olhou para mim e riu alegremente. Depois levantou-se, estendeu-me a mão e disse:
“Vem, vamos ainda andar um pouco ”
Pus a minha mochila às costas e continuámos a subir a montanha. Voltou a dizer algumas palavras a meu respeito, por causa das minhas preocupações e dos meus medos. Depois contou-me uma série de coisas sobre pessoas que um dia virei a conhece. Mas, disso falaremos mais tarde, pois o meu encontro com Bento não se ficou por aqui.
Continuámos a caminhada e apesar de eu conhecer bastante bem a região, parecia-me que tudo me era estranho. Disse-lhe que não conhecia aquele troço de caminho e que talvez fosse preferível voltar para trás. Riu de novo, com um riso simpático. De um modo geral ria-se muito e tinha um inegável sentido de humor. Respondeu-me então:
“Não, não! Eu sei o que estou a fazer! Estamos no bom caminho, só
que tu já não estás no sítio em que pensas estar. Vou mostrar-te uma coisa
maravilhosa.”
Depois disse:
“Isto é uma maravilha, não achas?”
Respondi apenas com um gesto de concordância.
“Estamos numa planície que fica no meio das montanhas e da qual já
ouviste falar. Agora olha com muita atenção!”
Então o Céu abriu-se por cima da planície e dele começaram a descer Anjos que deram início a uma construção. Formou-se um quadrado enorme que tinha em cada ângulo uma torre imponente, de construção simples mas maciça. Em cada lado havia duas outras torres. Ao todo contei doze destas torres, todas elas ligadas entre si por uma muralha. Sobre cada troço dessa muralha ficavam ainda mais duas torres mais pequenas e em número de vinte e quatro. Toda a construção era feita com blocos de pedra rectangulares e todas as torres terminavam em flecha.
De repente surgiu ante mim uma enorme fortaleza. Só conseguia ver um pórtico ou quando muito o muro do pórtico. Depois desceram do Céu outros Anjos que trouxeram uns sinos. Colocaram um sino em cada uma das torres pequenas e três em cada uma das torres maiores. Depois de edificarem aqueles muros e torres, os Anjos reuniram-se à volta da muralha que rodeava a fortaleza, deram as mãos uns aos outros e começaram a louvar a Deus. Nessa altura todos os sinos começaram a tocar. Deviam ser à volta de uns sessenta sinos e tocavam com um som extraordinário.
Bento, olhou para mim, tomou a minha mão e voltou-se de novo para a imponente fortaleza.
“A Fortaleza da Fé”
Esta é a fortaleza da Fé que é guardada pelos Anjos e protegida pela mão de Deus. O que estás a ver aqui é a primeira parte da Cidade. Regista bem tudo isto na tua memória, pois será de grande importância no futuro.
Nenhum mal será feito a quem estiver no interior destas muralhas. Digo-te mais, chegará o dia em que o Papa será obrigado a fugir. Deus nos conceda a graça de poder terminar a fortaleza antes de chegar esse dia. O mais importante é a muralha que limita a fortaleza. As legiões de Anjos colocar-se-ão em redor dela e repelirão todos os que a atacarem. Neste local será construído um grande santuário da Paz!
Insisto em que olhes tudo isto atentamente e em seguida partiremos.
Está na hora de regressarmos, pois que ainda não te é permitido ficar aqui.”
Demos meia volta e de novo atravessámos a floresta. Ainda olhei várias vezes para trás, mas já não reconheci nada do que vira antes. Regressámos à pastagem. Pedi a S. Bento que ficasse mais um pouco comigo mas ele declinou o convite e disse ser tempo de nos separarmos. Pediu-me que registasse tudo muito bem no meu coração e escrevesse tudo o que acontecera.
Quando nos despedimos, abençoou-me. Disse que voltaria em breve porque tínhamos muito trabalho pela frente e em seguida partiu. Segui-o com o olhar mas ele afastou-se sem se voltar para trás.
Eram então cerca de 18h. Demorei-me ainda um pouco mais no campo a rezar o ofício de Vésperas e depois regressei.
Estava inundado por uma imensa felicidade, uma felicidade como há muito tempo não sentia. Senti-me um privilegiado.
2ª Mensagem: Visão de S. Bento
4.ª Feira, 17 de Setembro de 2008
Na quarta-feira à noite pendurei uma Cruz de S. Bento por cima da minha cama. Rezei a oração da noite e deitei-me. Subitamente, fui acordado por um riso rouco. Abri os olhos e vi diante de mim as duas tenebrosas personagens que eu já conhecia de uma anterior visão. No meu quarto ardia uma fogueira à volta da qual se reuniram, como da última vez que me apareceram. No começo, nem sequer olhavam para mim mas apenas e fixamente, para o fogo.
Tentei erguer-me na cama mas não consegui fazê-lo. Parecia que estava pregado à cama. Enquanto isso, as criaturas não paravam de rir e continuavam a ignorar-me. Depois, uma delas meteu a mão no fogo e tirou de lá uma brasa.
Foi então que se voltaram para mim e a que não tinha a brasa na mão aproximou-se da minha cama e fez-me na cara uma festa que me deixou a sensação de uma terrível queimadura. O meu corpo foi atravessado por uma dor incrível, mas eu nem gritar conseguia.
A tentação
A tal criatura pôs-se a rir e repetiu-me por várias vezes: “Então! Onde é que estão os teus anjinhos agora? Abandonaram-te, foi?”
E lá voltavam a rir e a repetir o gracejo. A situação durou algum tempo durante o qual a criatura voltou várias vezes a tocar na minha cara. O outro mantinha-se lá atrás limitando-se a rir e, enquanto isso, a brasa que segurava tornava-se cada vez mais incandescente. De repente, as coisas precipitaram-se:
“Como cheira mal aqui! Cheira a oração de hipócrita! Realmente é fantástico. A tua oração é tão falsa, que acaba por funcionar para nós como um apelo. (risos). Sabes uma coisa? Aquele que está lá no Alto não se importa nada contigo. A única coisa que ele tem para vos oferecer, é uma vida de escravos, o que vos não trás qualquer vantagem.
Além disso, vocês são pecadores,....e grandes pecadores! Tão grandes que jamais chegareis lá acima. São precisamente rapazinhos como tu, que quando menos esperam, já estão ao pé de nós! De resto, não se está assim tão mal na nossa companhia! Deixa-te lá das tuas genuflexões e pára também de comer carne morta, que cheira mal.
Sabes muito bem que temos um enorme poder e a prova é que neste momento nem te consegues mexer! (risos) O pobre rapazinho que acredita naquele lá do Alto, nem um gesto consegue fazer! Onde é que estão agora Ele e todos os que te podiam ajudar? Deixaram-te só e nada fazem por ti! Mas nós, em compensação já aqui estamos.
Queres vir connosco? Acabavas logo com isso tudo e havias de ver que o que te espera, é bem melhor. Pois fica a saber que a carne morta, não podesalvar-vos. Aquele lá de cima não tem grande amor por vós! Desce do Céu para vos socorrer e vocês matam-no! (risos) Fostes bem estúpidos em matar aquele que vos queria ajudar! Além disso, não aprendestes nada com esta históriatoda, pois continuastes a matar muitos dos que vos querem salvar! E tudo isso para logo de seguida recomeçarem com as genuflexões e voltarem a comer carne.
Pois, pois, mas o de lá de cima vai mandar-vos para o inferno de qualquer maneira. Se vieres connosco de livre vontade, terás lá em baixo uma estadia mais agradável e poderás ajudar-nos a salvar outros! (risos).
“Não tenhas medo!”
Nessa altura comecei a chamar interiormente o meu Anjo da Guarda com todas as forças do meu coração, pois não conseguia sequer abrir a boca.
Supliquei-lhe que viesse em meu socorro e gritei-lhe do fundo do coração:
Meu querido Anjo! Vem depressa em meu auxílio e livra-me destes impostores! Livra-me destas criaturas que ofendem tanto a Deus!”
Por fim, a luz brilhante que eu tanto esperava, apareceu e do meio da luz, surgiu um Anjo com uma espada na mão, que falou assim:
“ Em nome da Santíssima Trindade, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, em nome do Criador de toda a Vida, libertai esse jovem. Ele está ao serviço do Soberano dos Céus. Está sob a protecção da Mãe! Todo aquele que lhe tocar atrairá sobre si a cólera do Altíssimo!”
Então, lançou a sua espada e expulsou as horrorosas criaturas. Em seguida aproximou-se da minha cama, estendeu-me a mão e ajudou-me a erguer-me. Sentou-se ao pé de mim, na cama, e tomou-me nos seus braços porque eu estava a chorar convulsivamente e para me consolar disse-me;
“Não tenhas medo! Nada de mal te pode acontecer! Sê firme e tem confiança na nossa ajuda. Os Anjos protegem-te a todo o momento. Não deves ter medo do malvado inimigo, pois tens a tua Cruz ao pescoço. Ela protege-te! Eles vão voltar para te assustar mas, fica certo do seguinte: já te não podem fazer mal e mal grites por socorro, um de nós virá imediatamente em teu socorro. Contudo, aceita esse sofrimento!
Tu tens dentro de ti mesmo a mais poderosa arma contra o mal que é a oração!
Não dês ouvidos às palavras deles e começa de imediato a rezar! Eles não desaparecerão logo, mas verás que a tua oração vai tornar-se cada vez mais forte. Sobretudo, nunca percas a coragem e confia no amor infinito de Deus e na sua Misericórdia. Nós os Anjos estaremos vigilantes e permanentemente junto de ti!”
Balbuciei apenas um “obrigado” muito baixinho. O Anjo deixou-me então, sorriu para mim, ergueu-se e recuando desapareceu de imediato na Luz. Então ajoelhei-me no chão. Aos poucos fui-me acalmando e comecei a rezar uma oração da minha infância, que guardo ainda na memória:
“Santo Anjo da minha Guarda
A ti me entrego
Socorre-me nas provações
Livra-me de todo o pecado
Toma-me pela mão
E leva-me para o Céu!”
“Sou eu, Bento!”
Voltei a deitar-me e tentei adormecer. Encolhi-me debaixo dos lençóis, com a cara virada para a parede. Senti então que alguém se estava a sentar na minha cama. O meu coração pôs-se a bater loucamente e eu voltei-me na cama.
Era S. Bento quem se tinha sentado! Envergava o seu hábito religioso. Sorriu para mim e começou a dizer-me:
B- “Não tenhas medo, sou eu! Já sei que é tarde e estás cansado mas tenho mesmo que falar contigo! Não acredites naqueles demónios! Tudo, mas absolutamente tudo o que dizem é pura mentira! Foi para acalmar o teu coração que Deus me enviou junto de ti para te explicar o que se segue:
Tu sabes que Deus enviou o Seu Filho ao mundo. O próprio Deus veio à terra. Aquela criança que foi perseguida várias vezes desde a sua mais tenra idade, foi o princípio da vossa salvação e o mais precioso dom que Deus podia fazer aos homens. Há muitos homens que compreendem isto muito bem, mas a história continua: Jesus Cristo, o Filho de Deus foi condenado à morte e crucificado. É nisto que reside o verdadeiro mistério do Amor.
Quem é que morre na Cruz da Salvação? “
T – Jesus!
B – E o que é que isso significa?
T – Que Deus sacrificou o Seu próprio Filho por nós, para nos salvar!
B – Claro! Mas o que é que isso realmente significa?
T – Que foi pela morte do Filho de Deus que fomos libertos da morte!
B – Mas significa muito mais do que isso! Se Jesus Cristo, o Filho Único do Pai morre na Cruz e Ele próprio é Deus no Seu todo, então, é a Divindade total, que morre na Cruz. O Deus Trinitário morre na Pessoa do Seu Filho e, Ele mesmo, desce aos Infernos para desse modo triunfar sobre a morte e livrar as almas da sujeição da morte. Ele próprio morre e liberta a Vida da escravatura da morte, isto é, de uma morte eterna longe de Deus!
Este é um maravilhoso Mistério que nenhum ser humano poderá jamais compreender verdadeiramente, mas deveis acreditar nele com toda a confiança! O próprio Deus morre em Jesus Cristo sobre a Cruz! Aquele que tudo criou, oferece-se na Pessoa de Seu Filho, o que quer dizer que naquele momento, o mundo viveu uma total ausência de Deus, um absoluto vazio porque Deus tinha sido morto. Mas, Deus Deus ressuscitou na Glória e realizou o maior milagre da Vida, que pode existir!
Por aquele acto de amor, deu-vos acesso à Vida eterna, e vós que havíeis sido expulsos do Paraíso e estáveis condenados a simplesmente viver e morrer, fostes libertos desse destino porque a morte tornou-se então o vosso verdadeiro nascimento. Pela morte vós nasceis parar a Vida do Reino dos Céus, onde já não há sofrimento! O sofrimento faz parte da vida na terra enquanto mais nos aproximamos de Deus na Terra maior ele é.”
T – Mas porquê?
B – Muitas vezes torna-se difícil de compreender. Quem se aproxima de Deus, cá em baixo na terra, reconhece o Seu amor e a Sua Misericórdia. Esses dons de Deus conferem a essas pessoas muita força. Através dos seus sofrimentos, elas assumem sobre si a miséria e o sofrimento do mundo. Poderás então imaginar o que terá sido para Jesus Cristo, tomar sobre os Seus ombros todo o sofrimento do mundo e carregar a Cruz até ao Gólgota, onde foi crucificado?”
T – Quanto sofrimento terá de suportar alguém que se aproxime de Deus?”
B – Nunca mais do que aquele que pode carregar ou suportar. E esse sofrimento é de livre vontade assumido por cada um desses Filhos de Deus. É o reconhecimento de que, carregando os sofrimentos do mundo, podemos ajudar Deus aqui na terra. Nem todos são chamados a isso, pois com o passar do tempo alguns filhos de Deus tornaram-se muito fracos. Eles vêem Deus como uma coisa estranha. O Arcanjo já te mostrou como Deus é acolhido neste mundo! Mas, os corações hão-de inflamar-se de novo!”
T – E como é que eu posso contribuir para isso?
B – Reza! Reza muito! Reza em conjunto com outros! Nunca esmoreças na oração! Ela é a arma principal contra o mal. Não descures também o estudo da Palavra de Deus, pois através dele, recebereis muitos sinais. Sobretudo, recebe o Corpo vivo do Senhor e confessa os teus pecados! O roteiro que conduz a Deus está contido nos Santos Sacramentos e a chave para o abrir encontrá-la-eis escondida no Santíssimo Sacramento do Altar!
Mas, terás ainda tempo mais tarde, para aprender tudo isso!”
Em seguida, estendeu-me a mão, pegou na minha e num abrir e fechar de olhos já nos encontrávamos outra vez na floresta que tínhamos atravessado da última vez. O sol brilhava e o ar estava fresco. Bento inspirou profundamente aquele ar. De olhos fechados e com o semblante cheio de alegria, contemplava o céu. Depois olhou para mim, desatou a rir e com a felicidade estampada no rosto, disse-me:
B - Bem, vamos lá ver o que é que os celestes construtores estão a fazer neste momento!”
Não pude deixar de rir também, pois ele tinha o condão de aligeirar o ambiente. O discurso anterior, feito com ar grave, deu lugar a um normal passeio, durante o qual rezámos os mistérios gloriosos do terço. Estávamos na dezena em que se meditava o mistério do Pentecostes, quando chegámos ao prado que conheci da última vez. Mal saímos da floresta, logo na frente dos nossos olhos surgiu a planície cercada de montanhas. A muralha maciça estava tal e qual a tínhamos deixado anteriormente. Então, de novo se abriu o Céu por cima da planície e dele desceu uma legião de Anjos que dividiram em nove sectores o interior da Cidade. O muro que separava os diferentes sectores era da mesma altura que a muralha que a rodeava.
Começaram então a preencher o interior da cidade, pondo-lhe
numerosos corredores e outros aposentos, de tal modo, que as paredes já se
não conseguiam ver e apenas se divisava um bloco maciço, com o aspecto de
um promontório da mesma altura que a muralha. Em cada um dos cantos
construíram uma torre maciça e imponente e as 4 torres eram ligadas entre si
por uma muralha. Também estas torres terminavam em flecha como as outras e
em cada uma delas, os Anjos vieram pôr um grande sino. Havia, apenas de um
dos lados, umas escadas que conduziam ao cimo do promontório e também um
único pórtico que dava acesso ao promontório. A porta principal da muralha da
cidade, as escadas e o pórtico do promontório tinham todos o mesmo
alinhamento. A certa altura todos os Anjos se reuniram de novo em redor da
cidade, deram as mãos entre si e começaram a entoar louvores a Deus. Porém,
desta vez, pude notar que o louvor era feito em diferentes línguas. Os sinos
começaram a tocar. Quando os quatro sinos grandes se juntaram a este
concerto, o som que produziam causou-me arrepios. Um som extremamente
grave percorreu a planície e repercutiu-se muito para além dela. Era um som
que tinha uma grande majestade como se os sinos das torres da muralha, os
cânticos de louvor e os quatro sinos do promontório, quisessem expressar a
majestade divina. Era um som lento e grave que despertava em mim o temor de
Deus e a humildade.
Estava fascinado por aquela visão e pelo som dos sinos. Então, S. Bento
tocou-me ao de leve no ombro e disse:
B – Temos de ir-nos, mas grava muito bem tudo isto na tua memória!”
Tomámos então o caminho de regresso, rezámos outra vez o terço,
retomando-o onde o tínhamos interrompido. Quando acabámos de o rezar, S.
Bento pegou na minha mão e eu apareci de novo na minha cama, com ele na
minha frente. Era como se estivéssemos na mesma posição de antes de
entrarmos na floresta, com a única diferença que a aurora começava já a
despontar.
B – “Esta noite não dormiste grande coisa, mas deves habituar-te a isso.
Tens de estar sempre a postos e vigilante. Segue as instruções do Anjo e tem
confiança nas coisas que eu te ensinar. Pega na minha Regra e familiariza-te
com ela pois vais necessitar muito dela.”
Depois desenhou sobre a minha fronte uma cruz e despediu-se. Foi então
envolvido por uma luz que não sei de onde veio e que se desvaneceu
rapidamente, levando com ela S. Bento.
3.ª Visão de S.Bento
2.ª Feira, 29 de Setembro 2008
“Eles estão a preparar tudo. É o começo dos acontecimentos!”
Na manhã de segunda-feira, 29 de Setembro, muito cedinho, fui despertado por alguém. Na minha frente encontrava-se S. Bento, vestido com uma capa branca de capuz. Segurava nas mãos um bocado de pano dobrado.
B – Eu te saúdo! Hoje não venho ensinar-te! Venho, porque aconteceu qualquer coisa de maravilhoso esta noite! Levanta-te e veste isto!”
Desdobrou então o pano e vi que era uma capa igual à que ele mesmo trazia. Estendeu-ma, e eu vesti-a. Depois, puxou-me o capuz para a cabeça e disse:
B - “É importante que guardes silêncio! Não digas nem uma palavra! Esta noite, Deus permite que testemunhes uma coisa maravilhosa!”
Em seguida tomou-me pela mão e eu apenas vi o brilho intenso de um relâmpago. Quando abri os olhos, estávamos os dois ajoelhados ao fundo de uma grande sala. Em frente de nós, ao centro, e envolto em luz, encontrava-se aquele trono que eu já tinha visto anteriormente. Diante Dele, também de joelhos, havia Anjos e homens. Os Anjos envergavam uma túnica cor de ouro e os homens uma túnica branca.
Na sala ecoavam cânticos diversos, em várias línguas. Era como se todo o mundo estivesse prostrado diante de Deus, cantando o Seu louvor.
Então, no lado esquerdo da sala, abriu-se uma porta de onde saiu uma procissão de Anjos que entraram na sala. Depois chegaram 12 Anjos, transportando um trono sobre o qual se encontrava a Santíssima Virgem Maria, que eles levaram junto do trono de Luz. A procissão deteve-se a uma certa distância e a Virgem Maria percorreu a pé essa distância que a separava do trono de Deus. Ao chegar ali, ajoelhou-se e começou a rezar (pelo menos foi o que me pareceu).
Então, apareceu, na luz que estava sobre o trono, um cálice, sobre o qual estava suspensa uma hóstia. Dessa hóstia, corriam dois líquidos, um vermelho e outro transparente (penso que seriam sangue e água).
A Santíssima Virgem ergueu-se, aproximou-se do trono e tomou em Suas mãos o cálice. Depois virou-se para a multidão de Anjos e homens.
Iniciou-se então uma imponente procissão, à frente da qual iam 12 Anjos com turíbulos, seguidos por uma multidão de homens que avançavam dois a dois. A procissão atravessou a sala e veio ao nosso encontro.
Notei então que se havia aberto uma enorme porta ao fundo da sala, mesmo em frente do trono Divino.
Voltei-me para S. Bento, que continuava a pegar na minha mão e quis perguntar-lhe o que era aquilo, mas ele fez-me sinal para não falar. A procissão avançava lentamente e saiu pela tal porta grande. Um sem número de Anjos, cantando numa linguagem que eu não compreendia, orientava a entrada da multidão dos homens.
Atrás desses, vinham 12 Anjos, cada qual empunhando na mão do lado exterior, um candelabro e depois seguiam-se 6 trazendo turíbulos que oscilavam.
Vinha depois o baldaquim, sustentado por 12 Anjos também empunhando um candelabro na mão do outro lado. Sob o baldaquim, avançava a Santíssima Virgem segurando o cálice sobre o qual pairava a Hóstia escorrendo sangue e água. Logo atrás do baldaquim, vinham 6 Anjos com turíbulos, seguidos por mais outros 12, portadores de candelabros e, só depois vinha a multidão dos homens. Uma grande número de Anjos e de homens haviam já saído da sala que, apesar disso, parecia não se esvaziar.
Nessa altura, S. Bento, puxou-me pela mão e fez-me ingressar no cortejo. Para lá da porta, havia uma grande escadaria de pedra que levava ao piso inferior. Olhei à direita e à esquerda mas nada conseguia ver, além de uma espécie de nevoeiro.
Quando descemos a escadaria, pude então reconhecer a planície cercada de montanhas, onde os Anjos tinham haviam começado a construção. Estávamos a encaminhar-nos directamente para a porta da cidade, que se abriu para permitir a entrada da procissão.
Os Anjos e os homens, estavam agora dispersos pelos oito bairros da cidade. A procissão que enquadrava a Virgem Maria, chegou ao promontório. Doze Anjos com turíbulos nas mãos, ladeavam a escadaria. Puxando-me pela mão, S. Bento levou-me para a torre que ficava no canto esquerdo, que dava para a parte da frente do promontório. Subimos rapidamente os degraus e quando chegámos ao cimo, vimos que a procissão continuava a avançar em direcção a um bloco de pedra que se encontrava no troço final do terreno do promontório.
Ao fundo, em redor do bloco de pedra, resplandeciam de glória 9 Anjos de imponente estatura. Vestiam magníficos trajes em ouro, que irradiavam toda a gama de cores. Cada um desses Anjos, tinha na cabeça uma coroa cravada de pedras preciosas. Embora todos estivessem vestidos de igual modo, consegui aperceber-me que, o quarto Anjo a partir da esquerda, era Gabriel.
Mal a procissão se aproximou deles, os Anjos ajoelharam em redor do bloco de pedra. O baldaquim e a Santíssima Virgem, detiveram-se frente ao bloco de pedra, sobre o qual a Virgem depositou o cálice com a Hóstia suspensa. Então, todos os Anjos, todos os santos e a própria Virgem Maria, ajoelharam e começaram a invocar e louvar a Deus em diferentes línguas. Simultaneamente, todos os sinos das várias torres começaram a tocar.
Eu não sabia o que estava acontecer-me. Jamais vira nada de tão grandioso. Eu não tinha a noção do tempo que aquela adoração havia durado, mas observei que em resultado da adoração, fluía cada vez mais sangue e água da hóstia, sem que contudo o cálice transbordasse.
Subitamente, a Santíssima Virgem ergueu-se e dirigindo-se à multidão, disse:
“Ouvi, vós, todos os servos de Deus, todos os Anjos e santos!
Deus, nosso amado Pai, permite que se dê início à obra. Aqui, precisamente neste lugar, será construída uma igreja em honra da glória dos Coros dos Anjos. Aqui tem de ser construído um santuário no qual os homens poderão invocar o meu auxílio maternal e a assistência dos Anjos! Adorai o Corpo de Meu Filho e implorai a Misericórdia de Deus, para os homens que dele se afastam!
A humanidade vai ser confrontada com tempos difíceis! Tempos de provação e sofrimento! Contemplai o Corpo de Meu Filho!
Construí em Sua honra e como refúgio para vós, esse templo da Graça!
Em seguida, a Virgem ajoelhou novamente. Começou então a cair fogo do Céu, a toda a volta da cidade e só se via tudo arder! Fiquei apavorado!
S. Bento pegou na minha mão, olhou-me com os olhos rasos de águas e voltámos a ver o brilho de relâmpagos.
Quando abri os olhos, vi que de novo nos encontrávamos no meu quarto. O meu companheiro tinha lágrimas nos olhos, mas estava com um ar feliz. Tirou-me o capucho da cabeça e abriu a minha capa. Eu tirei-a, olhei para ele e disse:
A – O que era aquilo?
B – Deus permite que o plano tenha início. Quanto tempo esperámos todos nós este dia! O combate contra as forças das trevas vai iniciar-se, como te anunciou o Arcanjo Gabriel.
A – Mas que é aquilo que aconteceu, ainda agora?
B – Meu querido filho! Deus vai enviar a salvação à terra. É Ele que envia todos estes Anjos! Cada dia envia um maior número de Anjos à terra. Eles estão a preparar as coisas. Vai tudo começar!
A – Mas, o que é que vai começar? O que era aquele fogo?
B – Tem confiança! Não podes aprender tudo de uma vez! Não te posso dizer o que é que vai começar, nem revelar-te porque caiu fogo sobre a terra. Digo-te simplesmente isto: presta atenção às instruções dadas pelo Arcanjo Gabriel! Reuni-vos e vivei em comunidade”. Lembra-te das três espécies de comunidade recomendadas. Mas, não deixeis passar muito tempo, pois o Mal não concederá aos homens muito mais tempo!
Vós, os filhos de Deus, deveis erigir uma igreja em honra dos Coros dos Anjos. Essa igreja será para vós uma protecção! Dessa protecção podereis beneficiar muitos de vós, pois, quanto mais pungente for a miséria, maior será o número dos homens que reencontrarão o caminho da vida!
Hoje não receberás qualquer ensinamento. Deus queria apenas que visses que Ele enviou já a ajuda prometida! Tem confiança! Passa a mensagem aos outros!
Estava a olhar-me, sorridente.
B – Tem confiança!
Depois dobrou a capa e pô-la no braço.
B - A bênção de Deus esteja contigo e com todos os homens!
Voltou a aparecer a Luz brilhante ao pé de S. Bento e, depois de algum tempo, envolveu-o e em seguida arrebatou-o.
Nada mais faço do que escrever aquilo que vi e ouvi! Nada mais posso fazer pois que, nem eu próprio compreendo ainda o significado de tudo isto.
Que Deus se digne conceder-nos a Sua misericórdia e dar-nos a Sua bênção
