"Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11) " 
ABORTO NÃO É SAÚDE REPRODUTIVA
PAPA NA ÁFRICA
Aborto não é «saúde reprodutiva», afirma Papa
20.03.2009 - Faz-se porta-voz do sofrimento das famílias com a pobreza
LUANDA .- Bento XVI afirmou nesta sexta-feira na capital angolana que o aborto constitui a eliminação de uma pessoa, motivo pelo qual não pode ser disfarçado de instrumento de «saúde reprodutiva».
O Papa colocou-se ao lado das famílias africanas que sofrem dificuldades com a pobreza, no discurso que pronunciou no Palácio Presidencial, residência do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, em presença das autoridades políticas, civis e do corpo diplomático em Luanda.
O Santo Padre denunciou que «também aqui se abatem numerosas pressões sobre as famílias: ânsia e humilhação causadas pela pobreza, desemprego, doença, exílio… para mencionar apenas algumas».
«Particularmente inquietante é o jugo opressivo da discriminação sobre mulheres e jovens meninas, para não falar daquela prática inqualificável que é a violência e exploração sexual que lhes causa tantas humilhações e traumas.»
O bispo de Roma confessou que há «uma nova área de grave preocupação: as políticas de quantos, com a miragem de fazer avançar o «edifício social», estão ameaçando os seus próprios alicerces».
«Que amarga é a ironia daqueles que promovem o aborto como um dos cuidados de saúde «materna»! Como é desconcertante a tese de quantos defendem a supressão da vida como uma questão de saúde reprodutiva», afirmou, citando o Protocolo de Maputo, (art. 14).
Por sua parte, assegurou, a Igreja se encontrará «sempre – por vontade do seu Fundador divino – ao lado dos mais pobres deste continente».
«Posso assegurar-vos que ela, através de iniciativas diocesanas e inumeráveis obras educativas, sanitárias e sociais das diversas ordens religiosas, continuará a fazer tudo o possível para apoiar as famílias, nomeadamente feridas pelos trágicos efeitos da SIDA, e promover a igual dignidade de homens e mulheres na base de uma harmoniosa complementaridade», disse.
Fonte: www.zenit.org
Declarações do Papa sobre o AIDS se apóiam na realidade, afirma perito argentino
23.03.2009 - O coordenador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Argentina (UCA), Pe. Rubén Revello, assinalou que as declarações do Papa Bento XVI sobre a luta contra o AIDS “são estritamente certas”, pois a realidade sobre a expansão deste flagelo as confirma.
Diante da polêmica suscitada por diversos meios de comunicação, o sacerdote argentino assinalou em um artigo que as declarações do Pontífice vão de acordo ao Magistério “e reafirmam uma linha de pensamento” proposto ao mundo “com a esperança de somar esforços que contribuam a vencer ao verdadeiro inimigo comum: o AIDS”.
Nesse sentido, lembrou que as declarações do Papa foram em resposta à pergunta de um jornalista durante o vôo a Camarões, quem lhe perguntou se confrontaria o tema da AIDS durante a viagem.
Depois de destacar as iniciativas católicas a favor dos doentes do SIDA, Bento XVI se referiu às campanhas de prevenção e indicou que “não se pode superar o problema do AIDS só com slogans publicitários. Se não estar a alma, se os africanos não se ajudarem, não se pode resolver o flagelo (do AIDS) com a distribuição de camisinhas: pelo contrário, o risco é o de aumentar o problema”.
“Ambas as afirmações são estritamente certas: um problema tão grave como o AIDS não se soluciona somente com publicidade. Esta poderá contribuir a criar consciência dos meios de contágio e da necessária prevenção para evitar os riscos, mas por si mesmo não basta para erradicar o mal”, assinalou o Pe. Revello.
Com respeito à distribuição de preservativos, o sacerdote argentino disse que a afirmação do Papa “tem sua confirmação na realidade. Baste para isso seguir, infelizmente, a crescente evolução da epidemia. Reduzir a prevenção do AIDS à distribuição maciça de preservativos, cria a falsa sensação de que assim se soluciona todo perigo de contágio”.
Nesse sentido, o Pe. Revello coincidiu com o Pontífice ao assinalar que é uma verdade “sólida” de que “uma profunda mudança de conduta, uma maior responsabilidade na vida sexual, e programas educativos a curto, médio e longo prazo, são mais eficazes” que o difusão do preservativo.
Do mesmo modo, o perito da UCA afirmou que Bento XVI foi “além” e propôs “a humanização da sexualidade, quer dizer uma renovação espiritual e humana que suporte um novo modo de comportar-se de uns com outros, e em segundo lugar, uma verdadeira amizade também e sobre tudo, com a pessoas sofredoras, a disponibilidade, com renúncias pessoais”.
Fonte: ACI
África: Uganda vencendo a batalha contra a AIDS usando a abstinência
19.03.2009 - O Papa Bento XVI encontra-se em viagem à África. Hoje ele está em Camarões. Durante o vôo, Sua Santidade respondeu a perguntas de jornalistas sobre vários assuntos. Entre eles, a questão da AIDS. Corretamente, o Papa lembrou que a solução para o problema da AIDS não está na distribuição de preservativos (camisinhas), mas na promoção de uma cultura de castidade - abstinência antes, e fidelidade durante o casamento. Como era de se prever, alguns personagens da cena política internacional estão dizendo que o Papa está “se tornando um problema”, ou que “está sozinho”. Nada mais irreal. Quem está certo é o Papa, é a Igreja. Na verdade, em muitos países africanos onde houve uma distribuição maciça de preservativos, o nível de infecção do HIV, ao contrário do esperado, só aumentou. Veja o artigo abaixo, sobre o caso de Uganda, um país africano que decidiu investir na promoção de uma cultura de castidade, e viu seus índices de infecção despencarem em uma década.
Uganda vencendo a batalha contra a AIDS - usando a abstinência
Por Sarah Trafford/ Tradução de Daniel Pinheiro
Uganda pode estar a caminho de vencer a AIDS usando os valores bíblicos da castidade e da fidelidade, é o que mostra um estudo da Universidade de Harvard. De acordo com o estudo, a educação para a abstinência mostrou efeitos significativos na redução da AIDS no país, com o nível de infecção por HIV caindo 50% entre os anos de 1992 e 2000.
A nação do leste africano está causando um grande impacto com a revelação de que a epidemia de AIDS pode ser revertida. Assolada por infecções de AIDS desde os anos 70, Uganda alcançou um miraculoso sucesso através de uma estratégia de prevenção que faz uso da abstinência. A promoção da abstinência através da mídia, programas de rádio e educação sexual nas escolas resultou em uma queda gradual e contínua dos níveis de infectados com HIV.
“Uganda é um dos países que atribuem grande importância à promoção da abstinência entre jovens” disse Ahmed Ssenyomo, ministro conselheiro da Embaixada de Uganda, em um discurso para a Conferência Africana para os Jovens, sobre abstinência.
Quando o programa começou, no final dos anos 80, o número de mulheres grávidas infectadas com o HIV era de 21,2%. Em 2001, o número era de 6,2%. O estudo da Universidade de Harvard também mostrou que os adultos estão diminuindo as relações de risco: entre as mulheres com mais de 15 anos, as que reportaram possuir muitos parceiros sexuais caiu de 18,4% em 1989 para 2,5% em 2000.
Essa ênfase em abstinência no programa governamental de Uganda é única. Em outras nações com alto grau de infecção em AIDS, tais como Zimbábue e Botswana, os preservativos (camisinhas) têm sido promovidos como a solução para a crise de infecções. Em Botswana, 38% das mulheres grávidas eram soropositivas no ano passado, contrastando com apenas 6,2% das mulheres em Uganda.
Muitos responsáveis por programas de combate à AIDS rejeitam a abstinência como potencial estratégia de prevenção, apesar de todas as evidências de que a promoção da abstinência e da fidelidade reduziram os casos de AIDS em Uganda na última década.
“Milhões e milhões de jovens estão tendo relações sexuais”, disse Paulo Teixeira, diretor do programa de combate à AIDS do Brasil, na 14ª Conferência Internacional de AIDS. “Não podemos falar sobre abstinência. Não é real”.
A abstinência é geralmente negligenciada enquanto potencial método de prevenção. Há muito tempo se pensa que a promoção dos preservativos e de iniciativas de “sexo seguro” seria a resposta para a escalada da AIDS. Ao invés de encorajar as pessoas a controlar seus impulsos, essas iniciativas tentaram oferecer maneiras mais “seguras” de exercitar sua libido. Entretanto, em muitos países africanos os preservativos não são vistos com simpatia. Há uma variedade de lendas urbanas que circulam em algumas regiões, dizendo que os preservativos seriam ferramentas de “limpeza étnica”, ou que na verdade eles é que transmitem o vírus HIV (Durante a Guerra Fria, a KGB soviética espalhou a “desinformação” de que os estados Unidos teriam “criado” o vírus da AIDS para matar os africanos).
A iniciativa da abstinência em Uganda vai muito além daqueles que já estão mantendo relações sexuais - ela começa com a educação e a promoção de um programa de abstinência para jovens chamado “True Love Waits” (O verdadeiro amor espera). Trinta mil jovens ugandenses estão atualmente envolvidos no programa. Lançada em Uganda em 1994, True Love Waits foca na abstinência até o casamento como maneira de prevenir todas as consequências adversas associadas com as atividades sexuais extra-maritais.
“Incentivar o casamento, a monogamia e a abstinência, atrasando o início da atividade sexual, desencorajando a promiscuidade e o sexo casual, reduzindo o fornecimento e a demanda de drogas ilegais ou oferecendo tratamento para viciados em droga… essas são as abordagens absolutamente mais efetivas para reduzir o risco do HIV” disseram o deputado republicano Mark Souder, de Indiana, e seis outros membros do Comitê Americano da Reforma Governamental, em uma carta às Nações Unidas.
Os Estados Unidos e outros países começaram a acolher a promoção da abstinência como modo de prevenção contra a AIDS. As Nações Unidas recentemente divulgaram que a AIDS exterminará metade da população em alguns países africanos. Em Uganda, o sol está começando a brilhar por entre as nuvens das mortes por AIDS - e está brilhando cada vez mais forte.
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Sarah Trafford. “Uganda Winning the Battle Against AIDS - Using Abstinence.” Culture and Family Institute (July, 2002).
Este artigo foi reproduzido de “Culture and Family Institute”. Culture and Family Institute é afiliado de “Concerned Women for America” E-mail: mail@cultureandfamily.org
A autora
Sarah Trafford trabalha no “Culture & Family Institute”; é formada em Ciências Políticas pela Universidade de Wooster, Ohio, EUA.
Copyright © 2002 Culture and Family Institute
Fonte: http://juliemaria.wordpress.com/
19.03.2009 - O papa Bento XVI declarou hoje que a África "está em perigo" devido aos "imorais sem escrúpulos que tentam impor o reino do dinheiro desprezando os mais miseráveis".
Além disso, o pontífice voltou a condenar o aborto, defendeu o casamento e a virgindade, e pediu aos africanos para que não se iludam com falsos ideais e glórias.
Bento XVI pronunciou essas palavras diante de quase 60 mil pessoas, segundo fontes policiais, que assistiram à missa em comemoração à festividade de São José no estádio Amadou Ahidjo, em Yaoundé.
O pontífice falou sobre a situação da família e disse que esta instituição sofre na África, assim como no resto do mundo, "um período de dificuldade", mas que superará isso com a ajuda de Deus.
Entre os problemas da família, o papa destacou que alguns valores tradicionais foram alterados e que as relações entre gerações se modificaram de uma maneira que não favorece a transmissão dos conhecimentos dos antepassados.
"Desarraigados e mais frágeis, os mais jovens buscam curar seus males refugiando-se em paraísos efêmeros e artificiais, importados de quem jamais chega a assegurar ao homem uma felicidade duradoura", denunciou o papa.
Bento XVI incentivou os fiéis a acolher a vida como um presente de Deus e, após afirmar que uma criança é uma "bênção" - em uma clara condenação do aborto e da eutanásia -, disse que "cada ser humano é criado à imagem e à semelhança de Deus. A morte não deve prevalecer sobre a vida".
Lançando mão da figura de São José, o papa pediu aos casados para que respeitem suas esposas, aos namorados, para que respeitem o futuro cônjuge, e aos religiosos, para que sigam o celibato.
"O casamento e a virgindade são os dois modos de se expressar e de viver o único mistério da aliança de Deus com seu povo", afirmou Bento XVI.
O pontífice encorajou os jovens a não perder a esperança e a não rejeitar a vocação religiosa, e levou palavras de consolo para as crianças órfãs, abandonadas na miséria e nas ruas, às maltratadas e vítimas de abusos e às recrutadas à força por grupos militares "que castigam alguns países".
Ao fim da missa, o papa entregou aos presidentes das Conferências Episcopais africanas o "Instrumentum laboris" (documento de trabalho) do 2º Sínodo para a África, que será realizado em outubro deste ano, no Vaticano.
Para o arcebispo Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo, a segunda edição do evento ocorre em um momento de grande vitalidade e dinamismo da evangelização africana.
Segundo dados do Vaticano, três nações africanas estarão entre os dez maiores países católicos do mundo em 2050: República Democrática do Congo (97 milhões de católicos), Uganda (56 milhões) e Nigéria (47 milhões).
22.03.2009 - Cerca de dois milhões de angolanos se reuniram neste domingo para a missa ao ar livre celebrada pelo papa Bento XVI em Cimangola, nos subúrbios de Luanda, um dia depois de um tumulto que matou duas pessoas.
O papa expressou "tristeza profunda" pela morte das duas mulheres, pisoteadas quando a multidão tentava entrar em um estádio onde Bento 16 apareceria. Ele também desejou que os feridos no tumulto se recuperem rapidamente.
A missa deste domingo foi o último grande evento do giro de sete dias do papa pela região. Enormes multidões se reuniram para ver o papa durante sua visita a Angola, onde 55% da população é católica.
O papa falou contra os horrores da guerra civil que assolou o país após a independência, em 1975, dizendo que "infelizmente esse é um problema em toda a África".
Ele falou também sobre a importância da reconciliação e chamou os jovens para que encaminhem Angola para um futuro melhor. Após o discurso, o papa liderou rezas e cânticos, e mulheres em trajes típicos africanos levaram ao altar oferendas tradicionais como peixe seco, frutas e nozes.
Segundo a correspondente da BBC em Luanda, Loiuse Redvers, a segurança foi reforçada para o evento deste domingo. O grande problema na missa, no entanto, foi o sol e o calor.
Há relatos de que mais de 400 pessoas precisaram de atendimento médico por causa das altas temperaturas. No sábado, o papa fez um apelo para que os católicos angolanos encorajem as pessoas que "vivem com medo de espíritos" a se unirem à Igreja.
Ele disse que os católicos devem falar aos que acreditam em bruxaria e espíritos. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que crianças sofrem abusos em Angola após serem acusadas de estarem possuídas por espíritos.
No início da viagem, que também incluiu Camarões, Bento XVI atacou a corrupção que, segundo analistas, é muito comum na Angola, país rico em petróleo.
Bento XVI causou ainda polêmica quando disse que o uso de preservativos pode agravar o problema da aids na África. A declaração foi feita no vôo que o levou ao continente.
22.03.2009 - O papa Bento XVI celebrou hoje uma missa para mais de um milhão de pessoas em Luanda, na qual disse que as guerras, a rivalidade étnica, a corrupção, a avidez e o aborto impedem o avanço da África, continente ao qual pediu que se "ergua" e se liberte de todos os males, com vistas a um futuro de reconciliação, justiça e paz.
"Levantem, coloquem-se no caminho. Olhem para o futuro com esperança, construam algo duradouro, e deixarão para as futuras gerações uma herança de reconciliação, justiça e paz", disse o papa em meio aos aplausos de milhares de fiéis vindos de outras províncias e de países vizinhos.
Após expressar sua satisfação por estar numa "bela e sofrida terra", Bento XVI se referiu às guerras que ensanguentam o continente africano e disse que estas disputas destruíram famílias, favoreceram o ódio e a vingança e só criaram destruição e injustiças.
O conflito na região dos Grandes Lagos foi um dos citados pelo Pontífice durante a cerimônia, na qual pediu "que Cristo cure aqueles que sofrem, conforte os que choram e dê força a todos os que levam adiante o difícil processo de diálogo, de negociação e do fim da violência".
"Que grande é a escuridão em tantas partes do mundo e também na África. Pensemos no flagelo da guerra (que em Angola durou 27 anos), nos frutos ferozes do tribalismo, nas rivalidades étnicas, na avidez que corrompe o coração do homem, escraviza os pobres e priva as gerações futuras dos recursos de que precisam para criar uma sociedade mais solidária e justa", declarou.
Bento XVI, que em alguns momentos demonstrou certo cansaço devido ao forte calor, apontou como outros problemas da África "o insidioso espírito de egoísmo que encerra os indivíduos em si mesmos e divide as famílias".
O Pontífice acrescentou que esse egoísmo suplanta os grandes ideais de generosidade e abnegação e "inevitavelmente leva ao hedonismo, à droga, à irresponsabilidade sexual, à fraqueza do vínculo matrimonial, à destruição da família e à eliminação de vidas humanas mediante o aborto".
O papa encorajou os africanos a demonstrarem seu amor pelo próximo, "sem levar em conta a raça, a língua ou a etnia", e disse que a Palavra de Deus é "esperança" e que os mandamentos não são um fardo, mas uma fonte de liberdade.
"A África é um continente de esperança, mas que tem sede de justiça, de paz, de um são e integral desenvolvimento que pode assegurar a seu povo um futuro de progresso e paz", afirmou.
Apesar das mensagens de incentivo, a missa começou com declarações de pesar do Bispo de Roma pelos dois jovens que, ontem, morreram esmagados quando tentavam entrar num estádio de Luanda para o encontro do líder religioso com a juventude angolana.
O papa expressou sua solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e seu "mais vivo pesar" pelo tumulto enfrentado pelos que foram assisti-lo.
O resto da missa, acompanhada por 71 bispos da conferência regional de prelados do sul da África e por outros de nações vizinhas, transcorreu sob um forte calor.
Mais de 200 médicos prestaram atendimentos durante do ato religioso, que teve a cobertura de 900 jornalistas, dos quais metade eram estrangeiros.
Bento XVI termina o penúltimo dia de sua visita à Angola com um encontro com os movimentos católicos para a promoção das mulher, que ele sempre considerou o eixo das sociedades africanas.
21.03.2009 - O papa Bento 16 fez neste sábado um chamado aos católicos de Angola — onde a crença em espíritos feiticeiros levou muitos a trocarem a Igreja por seitas — para que abandonem a feitiçaria e também chamou de volta aqueles que deixaram o catolicismo.
O papa, de 81 anos, mostrou sinais de fadiga no clima úmido e abafado do país. Ele rezou uma missa para milhares de pessoas em uma igreja enquanto outros milhares acompanhavam do lado de fora. Na homilia, Bento 16 pediu que os fiéis estendam a mão aos angolanos que acreditam em feitiçaria e espíritos.
"Tantos estão vivendo com medo de espíritos, de poderes ameaçadores e malignos. Em seu atordoamento, eles até acabam acusando crianças de rua e idosos de serem bruxos," disse ele.
No ano passado, a polícia resgatou 40 crianças que eram mantidas em uma casa por duas seitas religiosas depois de terem sido acusadas de feitiçaria por suas famílias. Os líderes das seitas foram posteriormente presos.
Jonas Savimbi, o carismático combatente da guerrilha que liderou o oposicionista partido Unita na guerra contra o governo, lutou ao lado de uma mulher que ele acreditava que iria protegê-lo do fogo inimigo com suas práticas de magia.
Mas em Angola a crença em espíritos vai além das seitas evangélicas. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que muitas crianças abandonadas tinham sido acusadas de feitiçaria, em especial em áreas rurais, porque se acreditava que estavam possuídas por espíritos malignos.
O florescimento de seitas evangélicas é um grande problema para a Igreja Católica desde o fim da guerra civil, que durou 27 anos e terminou em 2002.
O número de seitas na ex-colônia portuguesa saltou de apenas 50 em 1992 - ano em que o governo abandonou o marxismo — para 900, segundo o instituto nacional sobre religião de Angola.
Especialistas dizem que as seitas são atraentes para os angolanos porque seus rituais são muito intensos, mesclados com tradicionais crenças africanas, e alguns prometem o fim imediato do sofrimento em um país onde a maioria da população ainda é muito pobre.
Em sua homilia, o papa pediu aos católicos que tentem convencer os que deixaram a Igreja de que "Cristo triunfou sobre a morte e todos aqueles poderes ocultos."
Na noite deste sábado, está prevista a presença do papa em uma concentração de jovens no estádio da capital, Luanda. Domingo é seu último dia em Angola. Ele retorna a Roma na segunda-feira de manhã.
18.03.2009 - O papa pediu nesta quarta aos bispos e padres da África que preguem dando exemplo, para que não haja diferença entre o que ensinam e como vivem, que defendam as famílias e se oponham ao divórcio, e que as alegres celebrações religiosas africanas não distorçam a liturgia católica.
Bento XVI fez as declarações no discurso dirigido aos 30 bispos da Conferência Episcopal de Camarões, com os quais se reuniu em seu segundo dia na cidade de Yaoundé e diante dos quais ressaltou a importância da liturgia nas manifestações da comunidade católica africana.
"Estas celebrações são festivas e alegres, mas é essencial que as mesmas não sejam um obstáculo, mas um meio para entrar em diálogo e comunhão com Deus", afirmou o papa, que insistiu na necessidade de que sejam "dignas".
Desta forma, o papa expressou sua preocupação com a rica religiosidade africana, que muitas vezes inclui nas cerimônias ritos tradicionalmente tribais e os sobrepõe à liturgia católica.
Em um país onde os católicos são 26,7% da população (cerca de quatro milhões de fiéis), seguidos pelos muçulmanos, que são 22%, Bento XVI deu especial atenção à forte penetração das seitas pentecostais vindas da América, à proliferação dos movimentos esotéricos e à religiosidade supersticiosa.
Diante de tal situação, o papa convidou os membros do clero presentes a incentivar a formação dos jovens e dos adultos, especialmente dos universitários e intelectuais.
Se na terça-feira o pontífice voltou a condenar o aborto, hoje insistiu na defesa da família e reafirmou a indissolubilidade do casamento.
Para Bento XVI, "as dificuldades relacionadas ao impacto da modernidade e da secularização com a sociedade tradicional obrigam os valores tradicionais da família africana a serem preservados com determinação".
Lembrando que fica na África o seminário com maior número de aspirantes à vida religiosa - na Nigéria -, o papa pediu aos bispos uma "cuidadosa e severa" seleção de candidatos ao sacerdócio, para que não haja diferença alguma "entre o que ensinam e como vivem a cada dia" e assumam os compromissos contraídos.
Em um continente como a África, onde não ter mulher e filhos é visto como sinal de invalidez, muitos religiosos não levam uma vida coerente com as normas da Igreja, motivo pelo qual Bento XVI afirmou hoje que são necessários "homens maduros e equilibrados" para o sacerdócio.
O pontífice também destacou a ativa participação das associações femininas em vários setores da Igreja missionária, algo que, segundo ele, ressalta "dignidade" da mulher na sociedade e na vida eclesial.
Bento XVI falou mais uma vez sobre globalização e afirmou que a Igreja continua defendendo as pessoas mais necessitadas e que a missão do bispo é ser o principal defensor dos direitos dos pobres, além de promover a caridade.
"A Igreja quer despertar a esperança nos corações dos excluídos e tem que contribuir para a construção de um mundo mais justo no qual cada um viva com mais dignidade", disse o papa.
Em um país onde existem mais de 200 etnias e em um continente marcado pelos conflitos étnicos, o papa disse que a Igreja Católica "exclui" qualquer tipo de etnocentrismo e contribui para a reconciliação e a cooperação étnica.
Hoje, Bento XVI celebrará a vigília para o Dia de São José na basílica de Maria Rainha dos Apóstolos junto a bispos, sacerdotes, religiosos, e representantes de outras igrejas cristãs, durante a qual deve fazer um apelo pela unidade dos cristãos.
22.03.2009 - Ao encontrar-se com os Bispos de Angola e São Tomé na última fase de sua viagem a África, o Papa Bento XVI lembrou que "o cristão de fé adulta e amadurecida não é o que segue as modas e as últimas novidades, mas sim aquele que vive profundamente enraizado na amizade com Cristo".
Da sede da Nunciatura Apostólica de Luanda, Bento XVI afirmou que "contra um relativismo difundido que nada reconhece como definitivo e porém, tende a defender como última medida o próprio eu e os seus caprichos, propomos outra medida: o Filho de Deus, que também é verdadeiro homem. Ele é a medida do verdadeiro humanismo".
O Pontífice precisou que a amizade com Cristo "abre-nos para tudo o que é bom e nos oferece o critério para discernir entre o erro e a verdade".
Do mesmo modo, advertiu que "a cultura e os modelos de comportamento estão cada vez mais condicionados e caracterizados pelas imagens propostas pelos meios de comunicação social". Neste contexto, disse, "são louváveis todos seus esforços por ter, também neste nível, uma capacidade de comunicação que lhes capacite para oferecer a todos uma interpretação cristã dos eventos, dos problemas e das realidades humanas".
Mais uma vez, o Santo Padre destacou as "dificuldades e ameaças" que encontra a família, a qual "tem uma particular necessidade de ser evangelizada e concretamente sustentada, porque além da fragilidade e instabilidade interna de tantas uniões conjugais, existe a tendência difundida na sociedade e na cultura de pôr em dúvida o caráter único e a missão própria da família fundada no matrimônio".
"Em vossa solicitude de pastores por cada ser humano, continuai elevando a voz em defesa do caráter sagrado da vida humana e do valor da instituição matrimonial e pela promoção do papel da família na Igreja e na sociedade, pedindo medidas econômicas e legislativas que as sustentem na geração e na educação dos filhos", indicou.
22.03.2009 - Na esplanada de Cimangola, nesta cidade, o Papa Bento XVI presidiu o Ângelus dominical. Antes desta oração mariana lembrou que "fazendo-se homem como nós, em tudo menos no pecado, Cristo nos ensinou a dignidade e o valor de cada membro da família humana. Morreu pelos nossos pecados, para nos acolher juntos na família de Deus".
"Nossa oração sai hoje de África, de Angola, e abraça ao mundo inteiro. Por sua vez os homens e as mulheres de todas partes do mundo que se unem às nossas orações, dirigem seus olhos a África, a este grande Continente esperançoso, mas ainda sedento de justiça, de paz, de um são e integral desenvolvimento que possa assegurar a seu povo um futuro de progresso e de paz".
"Hoje –continuou o Papa– confio às vossas orações os trabalhos de preparação para a próxima Assembléia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, cuja celebração está prevista para fins deste ano. Inspirados na fé de Deus e confiando nas promessas de Cristo, que possam os católicos deste Continente estar cada vez mais cheios de esperança evangélica para todas as pessoas de boa vontade que amam a África, estão dedicadas ao progresso material e espiritual de seus filhos, e à difusão da paz, a prosperidade, a justiça e a solidariedade em vistas ao bem comum".
Que a Virgem Maria, prosseguiu Bento XVI, "Rainha da Paz, siga guiando ao povo de Angola na tarefa da reconciliação nacional depois da devastadora e desumana experiência da guerra civil. Que as vossas orações obtenham para todos os fiéis de Angola a graça de um autêntico perdão, do respeito pelos outros da cooperação que só pode gerar a imensa obra da reconstrução".
"Que a Santa Mãe de Deus, que se confia a seu Filho, nossos irmãos, lembre aos cristãos de todo lugar o dever de amar a nosso próximo, de ser construtores de paz, de ser os primeiros em perdoar a quem tem pecado contra nós, assim como nós fomos perdoados".
"Aqui na África do Sul –acrescentou o Papa– queremos rezar a Nossa Senhora de modo particular para que interceda pela paz, a conversão dos corações e pelo fim do conflito na região vizinha dos Grandes Lagos".
Que "seu Filho, Príncipe da Paz, leve a cura a quem sofre, consolo a quem chora e força a todos os que avançam neste difícil processo do diálogo, as negociações e o afastamento da violência", exortou.
"Com esta confiança, olhamos a María nossa Mãe, no recitar a oração do Ângelus, em que rezamos pela paz e a salvação de toda a família humana", concluiu.
