Era a festa tradicional judaica de Pentecostes. Jerusalém estava repleta de peregrinos que tinham vindo para adorar Deus, no Templo. Que paradoxo: o mesmo Deus que eles não acreditaram que havia se feito homem, naquele povo, e haviam condenado à morte, morte de cruz!
Alheios ao burburinho, Maria, os apóstolos e diversos judeus que haviam aceitado Cristo (num total de 120 pessoas), estavam no Cenáculo. Então, o amor de Deus fez com que descesse, sobre todos, o Espírito Santo, em forma de línguas de fogo.
Por quê? Por que se fazia necessário que todos fossem iluminados, esclarecidos, pelo Espírito Santo? Por vários motivos: debilitados após o pecado original (como todos os seres humanos), os apóstolos se dedicavam apenas a cogitações práticas, concretas, sobre os aspectos medíocres da vida - não percebiam que lhes cabia a maior missão da história; pensavam, contentes, que, apesar de não serem descendentes da família de Aarão, irmão de Moisés, agora subiriam aos primeiros cargos de um novo reino, os quais, em Israel, eram os cargos dos sacerdotes; e, pior, faltava-lhes o essencial: a verdadeira adoração a Nosso Senhor! Comprovaram a Ressurreição, passaram mais 40 dias com Nosso Senhor, e, ainda assim... só pensavam na restauração do reino de Israel!
Mas, felizmente, tinham obedecido a Jesus que, antes de ascender, lhes havia dito que não se afastassem de Jerusalém, onde seriam batizados no Espírito Santo. E juntos com Maria, oravam, oravam muito.
De repente... um ruído estrondoso e um vento impetuoso! Em seguida, uma língua de fogo pousou sobre a cabeça de Nossa Senhora, e a partir dela, se multiplicou para os outros. “... ficaram todos cheios do Espírito Santo”. Isto significa que se lembraram, com amor e compreensão, de tudo o que lhes ensinara o Mestre, estando, pois, aptos a percorrer o mundo, pregando a Boa Nova!
Atraídos pelo ruído da ventania, os judeus se reuniram à porta do cenáculo, e assistiam, perplexos, os 120 falando várias línguas, sendo que cada um dos presentes os ouvia falar em sua própria língua!
Muitos se converteram nesta hora; muitos, porém, continuaram se deixando conduzir pelo demônio, e disseram que os apóstolos e os outros, estavam bêbados!
O Papa São Pedro procurou esclarecer que ninguém estava bêbado, e recordou as profecias sobre Cristo, conhecidas do povo. Vejam que coisa maravilhosa: neste momento, o primeiro Papa proclamou o primeiro dogma da História: O DOGMA DA DIVINDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO!
Neste dia, 3.000 pessoas foram batizadas – a Igreja nascente passou de 120 a 3.120 pessoas. E, pelo ardor da pregação apostólica que se seguiu a Pentecostes, os apóstolos estenderam a evangelização a todo o mundo antigo. Os apóstolos, um simples grupo de 12 judeus pescadores ignorantes, sem influência política nem força militar!
Que a Festa de Pentecostes nos faça lembrar que somos católicos, apostólicos e romanos, e temos a mais divina e doce obrigação do mundo: a de seguir o Magistério infalível da Igreja Católica. Se assim o fizermos, nunca cairemos no erro de aderir ao pensamento dos nãos-cristãos, que - em nome de um ecumenismo ou um diálogo distorcidos, tão em voga hoje - negam a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e a divindade da Santa Igreja Católica.
Não podemos concordar com aqueles que, negando as divindades de Cristo e da Igreja, querem que pratiquemos um cristianismo somente ecumênico, filantrópico, mundialista, mas sem fé.
Obedeçamos a Sua Santidade o Papa João Paulo II, que, ao se iniciar este milênio, nos ensinou, com muito acerto e carinho, na Carta Apostólica Novo Millennio Inuente: “... é preciso reacender em nós, o zelo das origens, deixando-nos invadir pelo ardor da pregação apostólica que se seguiu a Pentecostes.”