"Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11) " 
A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA É LIVRE?
NÃO! A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA NÃO É LIVRE
O Diácono Felipe é enviado por Deus a falar com o eunuco da Rainha de Candace que, em viagem, lia a Sagrada Escritura: "Correndo Felipe, ouviu que lia o Profeta Isaías e disse: "Compreendes o que lês"? Ele disse: -Como o poderei (eu compreender) se não houver alguém que me explique?" (At. 8,30-31).
Portanto, é a própria Bíblia quem nos diz que não é possível compreendê-la, se não houver alguém que a explique!
1 - A interpretação da Bíblia é livre?
Não. Se nem todos têm competência para entender o que está nos livros comuns, e menos ainda nos livros especializados e científicos, muito menos ainda terão para compreender os livros da Escritura Sagrada, que são profundíssimos. Um leitor despreparado, ou sem conhecimento fica num estado pior do que o de ignorância. Porque pior que não saber, é entender errado.
A palavra escrita está sujeita a interpretações diversas; faz-se obrigatório um intérprete, alguém que tenha recebido as chaves para interpretar o sentido correto das verdades reveladas por Deus. A esse conjunto de verdades damos o nome depósito da fé, e ao intérprete legítimo, Cristo deu o nome de Pedro, fundamento firme da Igreja que não perece, que não muda, e único que possui as chaves do reino dos céus.
Em outras palavras: é extremamente difícil interpretar corretamente a Bíblia, e que imensa confusão produz o livre exame!
Por isso, São Pedro previne em sua segunda Epístola: "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular" (II Pe. I, 20). Daí a necessidade de Deus ter dado a alguém "as chaves" de sua interpretação.
Foi Pedro quem recebeu essas chaves, quando o próprio Cristo lhe disse: "Bem aventurado és tu, Simão Bar Jonas, porque não foi a carne, ou o sangue que te inspiraram, mas meu Pai que está nos céus. E eu te digo que tu és Pedro, e sobre essa pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus" (Mt. XVI, 17-20)
Portanto, sòmente o Papa pode dar a interpretação certíssima e indubitável das Sagradas Escrituras, devendo os fiéis ouvi-la e observá-la dócilmente.
Compreende-se então claramente o que disseram os Provérbios:
"Assim como o espinheiro está na mão do bêbado, assim está a parábola no boca dos ignorantes" (Mt. XXI, 42).
O Diácono Felipe é enviado por Deus a falar com o eunuco da Rainha de Candace que, em viagem, lia a Sagrada Escritura: "Correndo Felipe, ouviu que lia o Profeta Isaías e disse: ?Compreendes o que lês?? Ele disse: ?Como o poderei (eu compreender) se não houver alguém que me explique?" (At.8,30-31).
Portanto, é a própria Bíblia quem nos diz que não é possível compreendê-la, se não houver alguém que a explique!
2 - Qual a relação entre Tradição e Bíblia?
O primeiro ponto é que a Tradição formou a Bíblia, sendo portanto sua fonte.
A Bíblia é o livro por excelência, escrita por santos homens, sob inspiração divina. Porém a Bíblia não foi escrita por Cristo, nem em muitos casos pelos protagonistas das histórias que estão ali retratadas, como no caso do Evangelho de São Marcos, e também do livro do Gênesis, escrito por Moisés.
Foram os fatos e doutrinas passadas de um para outro, sob a inspiração do Espírito Santo, que acabaram por forjar os livros da Escritura, tempos depois. Ou seja, antes de haver a Bíblia, houve a Tradição que a formou. De fato, a Bíblia é a Tradição escrita, e por isso, ambas devem ter valor equivalente. Porém, como a palavra escrita está sujeita a interpretações diversas, se faz obrigatório um intérprete, alguém que tenha recebido as chaves para interpretar o sentido correto das verdades reveladas por Deus. A esse conjunto de verdades damos o nome depósito da fé, e ao intérprete legítimo, Cristo deu o nome de Pedro, fundamento firme da Igreja que não perece, que não muda, e único que possui as chaves do reino dos céus.
Caberia então uma pergunta: se o que está na Bíblia já estava na Tradição, para que escrever? O motivo é de conveniência, pois o documento escrito é mais formal, e mais facilmente aceito como prova do que o testemunho, vide, por exemplo, o direito positivo. E portanto Deus guiou os homens para que colocassem a Tradição de forma escrita. Como pode-se facilmente deduzir então, a Tradição e a Bíblia devem se harmonizar perfeitamente, pois tem ambas a Deus como autor.
3 - Qual a diferença entre a Tradição e os costumes locais?
Quando falamos em Tradição entenda-se o conjunto de verdades reveladas por Deus. Como a revelação terminou com o último Apóstolo, também a Tradição que é conservada até hoje remonta a esta época.
Os costumes são um reflexo da Tradição na sociedade civil, mantidos naturalmente pelo povo de determinado lugar. Os usos e costumes são os geradores da lei escrita, e nesse sentido poderíamos fazer um paralelo com a Tradição.
Porém a Tradição tem origem divina, e não humana. Os usos e costumes são humanos, e não podem ser considerados infalíveis, mesmo que todos os povos tenham agido ou pensado da mesma forma em determinadas épocas, o chamado consenso geral dos povos. Esta é uma doutrina falsa, que infelizmente se encontra muito difundida hoje, mesmo entre os católicos.
A BÍBLIA E SUA INTERPRETAÇÃO
A interpretação da Bíblia é livre?
Não, a interpretação da Bíblia não é livre.
Interpretar é entender exatamente o que o autor quis dizer. Concordando ou não.
A coisa complica quando nos lembramos de que as Sagradas Escrituras foram inspiradas pelo Espírito Santo, a ponto de se poder dizer que Ele é o verdadeiro autor delas. São Luís Maria Grignion de Monfort chega a dizer que as frases da Sagrada Escritura são ?palavras do Espírito Santo?. Daí porque não podemos interpretar a Bíblia a nosso bel-prazer, sob pena de incorrer no pecado contra o Espírito Santo.
A Igreja recomenda a leitura da Bíblia Sagrada. Mas, como tudo na Igreja, essa leitura não deve ser feita sem a devida preparação e as condições requeridas. Para ler a Sagrada Escritura com proveito espiritual ou mesmo cultural, supõe-se a devida formação religiosa, e valer-se do ensinamento dos que, no curso teológico, estudaram a ciência sagrada da Exegese, para interpretar as passagens difíceis. Sim, se uma pessoa tem dúvida sobre um determinado trecho bíblico, deve perguntar a um evangelizador. Por ex., valer-se dos conhecimentos escriturísticos de um sacerdote, o qual, por sua vez, não deve se confiar exclusivamente nos conhecimentos adquiridos no tempo de sua preparação no seminário ou ao longo de sua carreira sacerdotal. Mas deve recorrer, sempre que necessário, aos manuais dos estudiosos que escreveram tratados sobre o assunto, com a devida aprovação do Magistério da Igreja.
Sem essas precauções, a leitura da Bíblia Sagrada, em alguns casos, pode até fazer mais mal do que bem. É o que não compreendem os protestantes, que pregam a leitura indiscriminada da Bíblia por qualquer fiel em quaisquer condições. Como se o Espírito Santo estivesse obrigado a iluminar cada fiel individualmente para ajudá-lo a interpretar sem erro até mesmo as passagens mais difíceis da Escitura, quando sua única interpretação autêntica cabe exclusivamente ao Magistério da Igreja.
A dificuldade de entendimento é natural e ocorria até entre os Apóstolos, a respeito do que Nosso Senhor lhes ensinava. Assim, por exemplo, quando Jesus narrou a parábola do semeador, os Apóstolos não entenderam seu significado e foram perguntar ao Divino Mestre o que ela significava. Nosso Senhor então lhes deu a explicação (cfr. Luc 8, 5-15).
Pela doutrina católica, o Espírito Santo assiste a Igreja - e a Palavra Divina está confiada ? Igreja ? para que Ela não caia em erro em sua interpretação. Sem dúvida, o Espírito santo também inspira os fiéis na leitura da Sagrada Escritura, desde que o façam com as devidas precauções, das quais a mais importante é justamente recorrer ao Magistério infalível da Igreja e deixar-se guiar por ele.
Ana Lígia
