"Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11) " 
SANTOS ANJOS II
VALIOSOS CONSELHEIROS CELESTES
Plinio Maria Solimeo
Os Anjos da Guarda são nossos conselheiros, inspirando-nos santos desejos e bons propósitos. Evidentemente, fazem-no no interior de nossas almas, se bem que, como vimos, tenha havido almas santas que mereceram deles receber visivelmente celestiais conselhos.
Quando Santa Joana D\\\\\\\'Arc, ainda menina, guardava seu rebanho, ouviu uma voz que a chamava: \\\\\\\"Jeanne! Jeanne!\\\\\\\" Quem poderia ser, naquele lugar tão ermo? Ela viu-se então envolvida numa luz brilhantíssima, no meio da qual estava um Anjo de traços nobres e aprazíveis, rodeado de outros seres angélicos que olhavam a menina com comprazimento. \\\\\\\"Jeanne\\\\\\\", lhe disse o Anjo, \\\\\\\"sê boa e piedosa, ama a Deus e visita amiúde seus santuários\\\\\\\".
E desapareceu. Joana, inflamada de amor de Deus, fez então o voto de virgindade perpétua. O Anjo apareceu-lhe outras vezes para aconselhá-la, e quando a deixava, ela ficava tão triste que chorava (6).
O desvelo do nosso Anjo da Guarda para conosco está bem expresso pelo Profeta Davi no Salmo 90: \\\\\\\"O mal não virá sobre ti, e o flagelo não se aproximará da tua tenda. Porque mandou [Deus] os seus Anjos em teu favor, que te guardem em todos os teus caminhos. Eles levar-te-ão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra\\\\\\\" (Sl. 90, 10-12).
Inúmeros são os exemplos do poderoso auxílio dos Anjos na vida dos Santos. Santa Hildegonde, alemã (+ 1186), tendo ido em peregrinação a Jerusalém com o pai e falecendo este a caminho, foi freqüentemente socorrida por seu Anjo. Certo dia, quando viajava a caminho de Roma, foi assaltada e abandonada como morta. Pôde enfim levantar-se, e viu surgir seu Anjo num cavalo branco. Este ajudou cuidadosamente sua protegida a montar, e a conduziu até Verona. Lá, dela se despediu dizendo: \\\\\\\"Eu serei teu defensor onde quer que vás\\\\\\\" (7).
Santa Hildegonde poderia aplicar a si o seguinte comentário de São Bernardo ao Salmo acima citado : \\\\\\\"Quão grande reverência, devoção e confiança devem causar em teu peito as palavras do real profeta!
A reverência pela presença dos Anjos, a devoção por sua benevolência, e a confiança pela guarda que têm de ti. Veja que vivas com recato onde estão presentes os Anjos, porque Deus os mandou para que te acompanhem e assistam em todos teus caminhos; em qualquer pousada e em qualquer rincão, tem reverência e respeito ao teu anjo, e não cometas diante dele o que não ousarias fazer estando eu em tua presença\\\\\\\" (8).
São Boaventura afirma: \\\\\\\"O santo anjo é um fiel paraninfo conhecedor do amor recíproco existente entre Deus e a alma, e não tem inveja, porque não busca sua glória, senão a de seu Senhor\\\\\\\". Acrescenta que a coisa mais importante e principal \\\\\\\"é a obediência que devemos ter a nossos santos Anjos, ouvindo suas vozes interiores e saudáveis conselhos, como de tutores, curadores, mestres, guias, defensores e medianeiros nossos, assim em fugir da culpa do pecado, como no abraçar a virtude e crescer em toda perfeição e no amor santo do Senhor\\\\\\\" (9).
QUAL A NATUREZA DESSES PUROS ESPÍRITOS (Anjos)?
Plinio Maria Solimeo
Os Anjos são seres puramente espirituais, dotados de inteligência, vontade e livre arbítrio, elevados por Deus - ordem sobrenatural, isto é, chamados pela graça a participar na vida de Deus através da visão beatífica.
Muitíssimo mais perfeitos que os homens, sua inteligência é inerrante e sua vontade imensamente poderosa. Como não têm dependência nenhuma da matéria, seu conhecimento é consideravelmente mais perfeito que o do homem; para eles, ver é já conhecer. E conhecer significa compreender a coisa em toda a profundidade de que são capazes, em sua substância, e sem possibilidade de erro.
Por isso, a prova, para eles, teve conseqüência imediata e irremediável. Pois seu querer é absoluto, sem volta atrás. Aquilo que querem, desejam-no para todo o sempre. Daí o fato de, após a prova, terem passado imediatamente à eternidade do Inferno (os demônios), como à do Céu (os anjos bons).
Deus criou os Anjos para conhecê-Lo, amá-Lo, servi-Lo e proclamar suas grandezas, executar suas ordens, governar este universo e cuidar da conservação das espécies e dos indivíduos que ele contém.
\\\"Como príncipes e governadores da grande Cidade do Bem, a que se refere todo o sistema da criação, os anjos presidem, na ordem material, ao movimento dos astros, ? conservação dos elementos, e à realização de todos os fenômenos naturais que nos enchem de alegria ou de terror.
Entre eles está compartilhada a administração deste vasto império. Uns cuidam dos corpos celestes, outros da terra e seus elementos, outros de suas produções, árvores, plantas, flores e frutos.
A estes, está confiado o governo dos ventos e mares, dos rios e fontes; àqueles, a conservação dos animais. Não há uma criatura visível, nem grande nem pequena, que não tenha uma potência angélica encarregada de velar por ela\\\" (12).
Algumas vezes os Anjos, quando são enviados por Deus aos homens para alguma missão, utilizam a forma humana, a fim de acomodar-se à nossa natureza. Entretanto, nesses corpos etéreos e ligeiros com os quais em geral aparecem, não estão como a alma humana está no corpo, dando-lhe vida e tornando-o capaz de operações vegetais e animais.
Pelo contrário, ali estão como um operário está em sua máquina, da qual se serve para executar as obras de sua arte. Fora do horário de trabalho, não têm com elas nenhuma ligação.
\\\"Segundo os mais doutos intérpretes, as aparições acidentais dos anjos no mundo não são mais que o prelúdio de sua aparição habitual no Céu. Assim, é provável que no Céu os anjos assumirão magníficos corpos aéreos para regozijar a vista dos eleitos e conversar com eles face a face\\\" (13).
A MARAVILHOSA CLASSIFICAÇÃO DOS COROS ANGÉLICOS
A distinção dos Anjos em nove coros, agrupados em três hierarquias diferentes, embora não conste explicitamente da Revelação, é de crença geral.
Essa distinção é feita em relação a Deus, àcondução geral do mundo, ou à condução particular dos Estados, das companhias e das pessoas.
Os três coros da primeira hierarquia, vêem e glorificam a Deus, como diz a Escritura: \\\"Vi o Senhor sentado sobre um alto e elevado trono .... Os Serafins estavam por cima do trono ... E clamavam um para o outro e diziam: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos exércitos\\\" (Is. 6, 1-3). \\\"O Senhor reina .... está sentado sobre querubins\\\" (Sl. 98, 1).
Os três Coros inferiores aos acima enunciados estão relacionados com a conduta geral do universo.
E os três últimos Coros dizem respeito à conduta particular dos Estados, das companhias e das pessoas. (14).
DEVOÇÃO E FIDELIDADE AOS ANJOS
Evidentemente, todas essas maravilhas do mundo angélico deveriam levar-nos a um profundo amor, reverência e gratidão especialmente para com nosso Anjo da Guarda, evitando tudo aquilo que possa contristá-lo, como são nossos pecados. \\\"Como te atreverias a fazer na presença dos Anjos aquilo que não farias estando eu diante de ti?\\\", interpela-nos o grande São Bernardo.
E deveríamos fazer tudo o que sabemos poder alegrar o Anjo da Guarda, pois só assim estaremos trabalhando efetivamente para nossa própria santificação e salvação.
A reverência a seu Anjo da Guarda levava Santo Estanislao Kostka, que o via constantemente, a este requinte de delicadeza: quando ambos deviam entrar por uma porta, ele pedia ao Anjo para passar antes. E como este, à s vezes, se recusasse, insistia com ele até que cedesse (15).
Oxalá tantos e tão belos exemplos nos sirvam para reverenciar e acrescer nossa devoção a esses bem-aventurados espíritos angélicos que Deus, em sua misericórdia, concedeu-nos como guardiões, conselheiros, protetores e mensageiros - especialmente valiosos no mundo neopagão em que vivemos -, com vistas à obtenção da vida celeste!
OS NOVE COROS ANGÉLICOS, AGRUPADOS EM TRÊS HIERARQUIAS
· Serafins - do grego \\\"séraph\\\", abrasar, queimar, consumir. Assistem ante o trono de Deus* e é seu privilégio estar unidos a Deus de maneira mais íntima, nos ardores da caridade.
· Querubins ? do hebreu \\\"chérub\\\", que São Jerônimo e Santo Agostinho interpretam como \\\"plenitude de sabedoria e ciência\\\". Assistem também ante o trono de Deus, e é seu privilégio ver a verdade de um modo superior a todos os outros anjos que estão abaixo deles.
· Tronos - algumas vezes são chamados \\\"Sedes Dei\\\", (Sedes de Deus). Também assistem ante o trono de Deus, e é sua missão assistir os anjos inferiores na proporção necessária.
· Dominações - São assim chamados porque dominam sobre todas as ordens angélicas encarregadas de executar a vontade de Deus. Distribuem aos Anjos inferiores suas funções e seus ministérios.
· Potestades - Ou \\\"condutores da ordem sagrada\\\", executam as grandes ações que tocam no governo universal do mundo e da Igreja, operando para isso prodígios e milagres extraordinários.
· Virtudes - cujo nome significa \\\"força\\\", são encarregados de tirar os obstáculos que se opõem ao cumprimento das ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem da divina Providência.
· Principados - Como seu nome indica, estão revestidos de uma autoridade especial: são os que presidem os reinos, às províncias, e às dioceses; são assim denominados pelo fato de sua ação ser mais extensa e universal.
· Arcanjos - são enviados por Deus em missões de maior importância junto aos homens.
· Anjos - os que têm a guarda de cada homem em particular, para o desviar do mal e o encaminhar ao bem, defendê-lo contra seus inimigos visíveis e invisíveis, e conduzi-lo ao caminho da salvação. Velam por sua vida espiritual e corporal e, a cada instante, comunicam-lhe as luzes, forças e graças que necessitam (14).
(*) \\\"\\\'Assistir\\\' ante o trono de Deus tem dois significados: um é quando recebem Suas ordens; quando Lhe oferecem as orações, esmolas, boas obras e votos dos mortais; quando defendem contra os demônios as causas dos homens no Tribunal Supremo; quando fixam seu olhar nos raios da face divina para perceber as delicias inefáveis que constituem sua felicidade.
\\\"Neste último sentido, todos os anjos, sem excetuar nenhum, são \\\'assistentes diante de Deus\\\', porque todos gozam, sem interrupção, da Visão Beatífica, mesmo enquanto se ocupam do desempenho de alguma missão no governo do mundo.
Mas, em outro sentido estrito, a expressão \\\'assistir diante do trono de Deus\\\' designa os Anjos da primeira hierarquia, e que não podem ser empregados em ministérios exteriores\\\" (cfr. Corn. A Lapide, in Tob. XII, 15; apud Mons. Gaume, Tratado del Espíritu Santo, Granada, Imp. Y Lib. Española de D. José Lopez Guevara, 1877, p. 137 ).
Fonte: Lepanto.com
INTRÉPIDOS GUERREIROS DO EXÉRCITO DO SENHOR
Em várias partes dos Livros Sagrados os Anjos são mencionados como sendo a Milícia Celeste. Assim, narra o Profeta Isaías ter visto que \\\"Os Serafins ... clamavam um para o outro e diziam: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos \\\". (Is. 6, 2-3). E, no Apocalipse, chefiados pelo Arcanjo São Miguel, travaram no Céu uma grande batalha derrotando Satanás e seus anjos rebeldes (Ap. 12, 7).
Em outras passagens aparecem eles exercendo mesmo funções bélicas. Lemos, por exemplo, no II Livro das Crônicas que, tendo Senaqueribe invadido a Judéia, mandou uma delegação a Jerusalém dissuadir seus habitantes da fidelidade ao seu rei Ezequias, blasfemando contra o Deus verdadeiro.
O Rei de Judá e o Profeta Isaías puseram-se em oração implorando a proteção divina contra as tropas inimigas. \\\"E o Senhor enviou um anjo que exterminou todo o exército do rei da Assíria no próprio acampamento, com os chefes e os generais, e o rei voltou para sua terra inteiramente confuso\\\" (II Cron. 32, 1 a 21).
Guerreiros angélicos -- tanto no Antigo quanto no Novo Testamento -- às vezes juntam-se também aos homens contra os inimigos do Senhor. Assim, por exemplo, ajudaram Judas Macabeu numa batalha decisiva.
Outras vezes auxiliaram os soldados da Cruz contra os muçulmanos, como vem narrado nas crônicas das Cruzadas.
Na Sagrada Escritura, o próprio autor dos Atos dos Apóstolos afirma: \\\"O Senhor Deus dos exércitos freqüentemente envia também seus guerreiros para livrar seus amigos das mãos dos ímpios\\\" (Atos 5, 18-20; 12, 1-11).
